Moradores de Ferraz de Vasconcelos e usuários das linhas municipais de ônibus - atualmente operadas pela Radial -, mostraram-se surpresos, na tarde de ontem, com o novo valor da passagem. A tarifa, que era de R$ 3,80, passou para R$ 4,10 sem muito alarde e com pouca divulgação, apontaram. 
De acordo com um dos entrevistados, o aumento foi percebido a partir da última quinta-feira, feriado do Dia da Independência. "Eu já sabia que tinha aumentado, apesar de eu não pagar passagem por ter o cartão preferencial. Mas minha filha paga e eu acho muito caro, principalmente para quem tem que pegar duas ou três conduções", disse Antônia Maria da Silva dos Santos, de 59 anos.
Elisângela Duarte, 23, que está desempregada e tem dois filhos, acha "um absurdo" o aumento. "Hoje mesmo precisei pegar ônibus para fazer uma entrevista de emprego e acho que está muito alto o preço, até porque nem o trem aumentou assim. Tudo, aliás, está caro demais. Mas a gente precisa. Fazer o quê!", desabafou. Zenilde da Silva Santos, 55, e Tereza Alves dos Santos, 50, que ontem estavam no Terminal de Transportes Urbanos de Ferraz, engrossam o coro e não concordam com o reajuste. 
Questionada a respeito do assunto e da falta de divulgação, a Prefeitura se manifestou dizendo que "a passagem foi ajustada de R$ 3,80 para R$ 4,10 e o decreto foi publicado com antecedência no Boletim Oficial do Município (Bom), informando sobre o reajuste". 
Vale lembrar que, em janeiro deste ano, o prefeito José Carlos Fernandes Chacon, o Zé Biruta (PRB), havia dito, em entrevista publicada no Dat, que o município poderia ser um dos únicos a não reajustar a passagem. Disse Zé Biruta, na ocasião, que teria até gerado uma indisposição com os demais prefeitos da região, em um dos encontros do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat). "Fizemos uma reunião para discutir as tarifas dos ônibus e eu disse que não tinha nem moral para dar aumento de tarifa, ainda mais com a cidade nessa situação de caos e toda esburacada. E eu não vou dar aumento".   
Também consultada, a Câmara, por meio da sua Assessoria de Imprensa, ressaltou que "a concessão do reajuste na passagem de ônibus é um ato discricionário do gestor local e, portanto, o prefeito não precisa de consentimento da Casa de Leis para adotar tal atitude. Por outro lado, pelo visto, de fato, faltou dar mais publicidade à medida pela municipalidade. Aliás, salvo melhor juízo, até a presente data, o referido decreto sequer fora disponibilizado no site oficial da Prefeitura", criticou.
A Radial também foi procurada para comentar o reajuste, mas não deu retorno até o fechamento desta matéria.