Compartilhe
Após denúncias sobre falta de médicos em alguns dias da semana e até aos finais de semana, principalmente no atendimento às gestantes, no Hospital Regional de Ferraz de Ferraz de Vasconcelos "Osíris Florindo Coelho", a reportagem foi até a unidade e ouviu alguns pacientes. Pelo menos na ocasião, duas pessoas saíram sem atendimento e com destino a Guaianazes.
Maria de Lourdes Souza era uma das que saiu do hospital sem que o marido Emanuel tivesse sido atendido. O casal caminhava até o ponto de ônibus próximo e, no curto trajeto, ela conversou rapidamente com a reportagem, antes que o coletivo partisse, explicando que ele havia deslocado o ombro e que só haveria ortopedista no dia seguinte. "Me disseram que não tem médico. Só amanhã. Vamos ver se conseguimos algo em Guaianazes, porque do jeito que está, ele não pode ficar", afirmou.
Jaqueline David dos Santos, que estava grávida do primeiro filho, foi outra paciente que saiu do Pronto-Socorro do Hospital Regional de Ferraz sem ter sido atendida. A reportagem presenciou o momento em que ela fez a ficha na recepção e entrou em um corredor, porém, saiu da unidade, poucos minutos depois, junto com o marido e outra familiar, sem atendimento. Abordada pela equipe na calçada em frente ao hospital, ela contou estar no nono mês de gestação e que sentia dores e fortes contrações e, por isso, resolveu procurar o hospital. Saiu de lá decepcionada, sem nem passar pela triagem. Era por volta de 15h30. "Soube que o médico disponível iria atender primeiro gestantes que chegaram às 6 e 8 horas da manhã somente agora. E estou com muitas dores. Não dá para esperar. Então, vou ver se consigo atendimento em Guaianazes", disse.
O parto ocorreu no último domingo, e mãe e bebê passam bem, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde.
Resposta
Indagada sobre os fatos, a secretaria estadual levantou com o hospital a entrada e saída dos referidos pacientes, sendo que não encontrou nenhuma ficha no nome de Emanuel. No entanto, a pasta diz que, muitas vezes, o que ocorre é que o ortopedista está em cirurgia e, por isso, o atendimento demora um pouco mais. "Não falta médico", garantiu a Assessoria de Imprensa. "As denúncias referentes ao Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos não procedem. Sequer há registro de passagem pelo hospital em nome do paciente".
Já sobre Jaqueline, a secretaria comentou que a gestante no dia em que foi abordada pela reportagem foi embora por conta própria, pois havia médico no hospital. "Os atendimentos da ortopedia ocorrem normalmente, assim como na área de obstetrícia. A senhora Jaqueline David dos Santos não estava em trabalho de parto, na ocasião em que procurou o Regional de Ferraz, e foi orientada a voltar ao serviço diante de qualquer necessidade", informou, em nota.