A crescente violência que tem assolado o País nos brindou esta semana com escabroso espetáculo. Armados até os dentes, como costumeiramente acontece, tarimbados ladrões - sim, porque na tão perigosa "profissão', também se contam os "mais experientes" -, ao serem surpreendidos por forças de segurança, partiram para o confronto, levando, desta vez, a pior.
Ao final do combate, que se prolongou por tempo largo, no conhecido bairro do Morumbi, dez corpos foram colocados em fila, submetendo-se à visão curiosa dos transeuntes.
Cenas dantescas foram gravadas, tendo ao fundo, o riso solto dos policiais, que, se confraternizavam após o risco que correram, e vibravam pelo revés impingido, depois de contínuas derrotas.
Dia seguinte, apareceram os que de maneira geral lucram com tais catástrofes.
O Governador, omisso ao extremo no aparelhamento dos milicianos e agentes civis; desrespeitoso com a sociedade no item segurança; sem fazer a necessária "mea culpa', louvou os momentâneos heróis, deixando nas entrelinhas que, tendo conseguido a liberação de armas mais potentes, também detinha parcela da triste vitória!
Afinal, candidatíssimo nas próximas eleições presidenciais, como astuto político, engambelando, busca, desde já, os votos dos incautos.
Repórteres e alguns intelectuais - os que, costumeiramente, se opõem a tudo e a todos - criticaram a não mais poder, vendo na ação precipitação e despreparo.
O que não se abordou - pelo menos que tenha visto -, foi a proliferação da criminalidade, por culpa quase que exclusiva de um Estado poltrão, em que as desigualdades sociais são varridas para baixo do tapete, não existem, até explodirem em abjeto vandalismo!
O que fugiu a discussão foi o exemplo transmitido por um bando de corruptos, que do alto de suas funções, faz crer que o delito compensa, angariando a cada dia mais adeptos!
As mortes do Morumbi não traduziram apenas batalha entre o bem e o mal. Espelharam, isto sim, cinismo, proveito e os estertores de um país continente!