Cansados dos constantes furtos e assaltos nos bairros e do clima de insegurança, moradores dos Jardins Imperador, Márcia e Cruzeiro do Sul, em Suzano, resolveram se unir para combater e evitar a criminalidade. Segundo um dos líderes de um grupo de segurança, Rudge Ramos, de 40 anos, que mora no bairro desde que nasceu, tudo começou com a criação, em 18 de março deste ano, do primeiro grupo de moradores no aplicativo Whatsapp. Por meio dele, as pessoas se comunicavam, informando, uns aos outros, sobre a ocorrência de crimes ou a presença de indivíduos em atitude suspeita nas ruas.
Em 7 de julho deste ano foi criado o segundo grupo no aplicativo, somando, com o grupo 1, cerca de 400 pessoas ao todo. Depois, criaram outro grupo com os 12 líderes dos três bairros. "O grupo da liderança toma conta desses dois grupos e a gente se reúne para debater alguns assuntos, traçar metas, passa para esses dois grupos e adota providências", explicou Ramos. 
O grupo 1 surgiu justamente da necessidade de fazer alguma coisa diante dos muitos roubos e furtos a residências, ao passo que as reuniões começaram a acontecer nas casas dos moradores. Das reuniões, partiu a ideia de chamar o prefeito Rodrigo Ashiuchi (PR) e o secretário de Segurança, Fátimo Aparecido Rodrigues, bem como o comando da Polícia Militar na cidade, para pedir auxílio. No dia 26 de junho, a comunidade se reuniu com as autoridades do município e expôs a situação em um encontro na Igreja do Divino no Jardim Imperador. Lá foi passado para eles o que estava acontecendo e os moradores aguardaram por providências. No entanto, dias depois houve um roubo com retenção de vítima no Jardim Imperador. O pessoal do grupo foi chamado pela liderança dos bairros para uma reunião e foi contratada uma empresa para fazer a segurança do bairro.
A função da empresa é instalar câmeras e fazer rondas, com motocicletas, pelos bairros. O monitoramento, entretanto, fica por conta dos próprios moradores, que repassam pelo celular informações, fotos e vídeos de atitudes suspeitas ou crimes. O custo por casa é baixo (R$ 30 por mês) e cerca de 100 famílias pagam esse valor atualmente. Cerca de 30 câmeras já estão monitorando o bairro. Há imóveis que instalaram duas ou três delas. A comunidade também já fez um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas, que foi entregue para o prefeito. "Não temos nenhum político envolvido e cada etapa fazemos uma reunião e passamos para o pessoal", disse Ramos, que na semana passada participou de uma reunião com os moradores para falar do monitoramento. 
Resposta
Ao ser questionada sobre a iniciativa dos moradores, a Secretaria Municipal de Segurança Cidadã informou que a administração municipal "não foi notificada sobre a mobilização dos moradores citados pela reportagem".
O plano integrado entre a Guarda Civil Municipal (GCM) e a polícia está sendo elaborado, conforme a Prefeitura, e o sistema de monitoramento em conjunto está sendo organizado. 
"Até o momento, a municipalidade foi procurada por síndicos de conjuntos residenciais do bairro Vila Nova Urupês, para debater soluções semelhantes às apresentadas pelos moradores do Jardim Imperador", disse.