Um dos empreendimentos sorteados pela Prefeitura de Suzano, na última terça-feira, está totalmente ocupado. O Residencial Santa Cecília, instalado no Jardim Carla, foi invadido por mais de 300 famílias em julho de 2015. As obras estavam inacabadas e o espaço continua em situação precária, pois teve alguns telhados arrancados e o espaço externo dos blocos ainda está na terra, já que não houve tempo de pavimentar antes da invasão.
Uma ação de reintegração de posse já foi solicitada pela Caixa Econômica Federal (CEF), que ainda aguarda o cumprimento judicial. "O objetivo é garantir o direito das famílias selecionadas pelo Poder Público, de acordo com as regras do programa federal 'Minha Casa, Minha Vida'", informou a instituição financeira.
A CEF ainda ressaltou que, após a desocupação da área, uma vistoria deve ser realizada nas unidades habitacionais pela própria instituição financeira. Caso seja detectada alguma necessidade de reparo, o banco afirmou que acionará a construtora responsável para a recuperação das moradias. "Os imóveis serão entregues em plenas condições de habitabilidade", destacou a Caixa.
Quem passa em frente ao condomínio nota que o local está tomado por centenas de ocupantes. Há, inclusive, varal com roupas do lado de fora dos prédios. Uma portaria também foi improvisada pelos próprios invasores.
Para o técnico em telefonia Aron Gonçalves, 36 anos, o fato de ter sido sorteado, na última terça-feira, ainda não é motivos para comemorações. Ele afirma que ficou muito preocupado com a situação do empreendimento e teme que não consiga ser contemplado com a casa própria dessa vez.
"Fiquei bem desanimado. Eu estava cheio de expectativas, mas aí a Prefeitura faz o sorteio de um empreendimento que está invadido. Sem contar que destruíram muita coisa lá dentro e tem blocos, inclusive, que estão sem o telhado", contou. "Eu sou trabalhador, pago aluguel e não tenho carro. No Residencial Santa Cecília, a gente vê que tem invasores com carros novos alegando que não tem onde morar", observou.
A autônoma Priscila Camilo, 37, contou que está há mais de dez anos aguardando ser beneficiada com programas habitacionais. "Quando, finalmente, meu nome é sorteado veio a surpresa. Eu não sabia que os apartamentos estavam ocupados", disse.
 Prefeitura
Segundo a Secretaria de Planejamento Urbano e Habitação, o sorteio foi necessário para definir a demanda futura do empreendimento, mas não está condicionado à conclusão da obra em si, onde sua manutenção e conclusão são de responsabilidade da construtora.
Ainda segundo a pasta, o cronograma depende do processo de reintegração de posse, da análise das condições do local, da escolha da nova empresa, da conclusão das obras e da entrega à Caixa.