A resistência por parte de familiares de potenciais doadores é um dos principais fatores que dificultam a doação de órgãos no País. No Alto Tietê a "taxa de negativa familiar" gira em torno de 46%. Um dos principais motivos para o índice elevado é a falta de informação.
Com o objetivo de reverter este cenário, o Núcleo de Captação de Órgãos do Hospital Albert Einstein tem intensificado as ações de conscientização. Além do trabalho mais técnico junto a equipes médicas, como verificação de protocolos, são realizadas também ações educativas voltadas para a criação de uma "cultura de doação". Dentre estas atividades estão a busca ativa de potenciais doadores; a manutenção deste público e o acolhimento familiar.
Na região a iniciativa é realizada há três anos com o apoio da Secretaria de Estado da Saúde. "A Secretaria localiza um hospital referência e nos coloca para realizarmos ações. Todos os hospitais da região são parceiros e abrem as portas para nossas atividades", explicou a enfermeira especialista em doação de órgãos do Núcleo de Captação, Dayana Calado.
A atuação do Núcleo é diária, com a visitação de alas hospitalares onde se encontram pacientes de alta complexidade. Nestes locais é realizada a orientação das equipes médicas acerca do cumprimento do protocolo de morte encefálica. "Todos esses pacientes que se encontram em morte cerebral são notificados para Secretaria de Saúde, que em conjunto conosco fazem a validação e acompanhamento do mesmo. Somente após a morte constatada e a compreensão da família, é que fazemos o acolhimento familiar. A decisão é unicamente da família, não podemos interferir", disse.
Nos municípios do Alto Tietê, quase metade das famílias abordadas rejeitam a doação de órgãos. A situação segue uma tendência nacional, mas é bem diferente da de municípios do Vale do Paraíba. Em São José dos Campos, por exemplo, a taxa de negativa familiar gira em torno de 15%.
"Temos em nosso País 46% de recusa familiar e a região acompanha essa tendência nacional. Pela legislação (Lei 9.434) 40% de rejeição seria um número aceitável, portanto teríamos que reduzir 6%. No entanto, pensando em quem espera, e tendo um olhar para o próximo, devemos ter uma taxa bem menor e sabemos que podemos mudar essa realidade com informação", explicou.
Segundo a enfermeira, uma forma de facilitar esse processo é externando o desejo de ser um doador, para que não caiba aos familiares essa tomada de decisão. "É importante lembrarmos que somente a família pode autorizar a doação. O principal motivo da recusa é que a família não sabe do desejo do doador porque nunca conversaram em vida. Por isso é necessário que haja essa conversa e que se comunique aos parentes quando se é favorável", ressaltou.