Apesar da crise econômica vivenciada atualmente pelo Brasil, Mogi das Cruzes continua se desenvolvendo e realizando grandes investimentos em diversos setores. Para o prefeito Marcus Melo (PSDB), que também faz aniversário hoje, este é apenas um entre tantos motivos a serem comemorados nesses 457 anos de fundação da cidade.
Desde quando assumiu a missão de comandar o município, em 1º de janeiro deste ano, visto como uma das grandes potências do Alto Tietê e também do Estado de São Paulo, seu principal desafio tem sido a manutenção da qualidade dos serviços e do atendimento ofertado à população.
Neste processo, a implantação de novas tecnologias e a busca constante por investidores têm sido algumas das marcas de sua gestão. Diante da escassez de recursos, a estratégia utilizada tem sido priorizar e contingenciar. Medidas que, segundo Melo, têm sido bem aceitas pelos munícipes que entendem a necessidade de abdicar de algumas iniciativas para continuar tendo acesso a serviços essenciais de excelência. Isso porque, mesmo com um recurso mais enxuto, setores tidos como prioritários, no caso, Saúde e Educação, continuam sendo bem atendidos e, inclusive, servindo de modelo para outras cidades.
Apesar de manter os pés no chão, o crescimento do município continua entre os principais objetivos. Seja por iniciativa própria ou por meio de parcerias, os planos para a cidade são muitos. Neste aspecto, uma das metas é a implantação de uma unidade do Serviço Social do Comércio (Sesc), vista como uma oportunidade de proporcionar cultura, esporte e lazer aos mogianos, além de gerar empregos.
Mogi News: Como o senhor avalia essa experiência de estar à frente da Prefeitura?
Marcus Melo: Ser prefeito é um grande aprendizado de vida. Eu trabalhei no mandato do (ex) prefeito Marco Bertaiolli (PSD), ajudei durante oito anos e conheço bem a Prefeitura. Ser prefeito é uma ocupação que demanda muita paciência e sabedoria no dia a dia. A agenda é muito corrida, a gente atende as pessoas, ouve muito, anda a cidade inteira. Ainda assim, eu tenho o sentimento de que é preciso ir a mais locais, visitar mais gente. Mas isso é característico de uma cidade grande como Mogi, pois as demandas são diferentes e cada bairro tem uma característica. Estou muito feliz em ser prefeito, por conta de ser um cargo de quem cuida da cidade com experiência, embora este momento tem sido muito desafiador, porque falta bastante recurso de modo geral.
MN: Como estão as finanças do município hoje?
Melo: A situação financeira do município é reflexo da atividade econômica do Brasil. O País passa por um momento ruim por conta da incompetência da administração do PT. Entendo que essa situação serve como aprendizado, tanto na questão política quanto na econômica.
MN: Os investimentos feitos nos últimos anos geram uma responsabilidade maior na hora de administrar?
Melo: Em relação às obras, nem tanto. A grande questão é o custeio das unidades de Saúde e Educação. Nós temos uma preocupação muito grande em relação à Segurança, que vai ser uma das nossas principais bandeiras. Vamos investir na Guarda Municipal. Em breve teremos alguns anúncios.
MN: Apesar da falta de recurso, Mogi tem conseguido manter seus serviços. Qual a receita para isso?
Melo: A receita é a experiência adquirida no dia a dia. Eu conheço as demandas das Secretarias, o histórico que a cidade tem, sei como funciona a legislação do município e possuo uma boa relação com os vereadores. E com esse respeito que existe entre Câmara e Prefeitura, quem ganha é a população. A gente tem que manter como foco principal o bem estar das pessoas.
MN: A Prefeitura tem realizado cortes em diversos seguimentos. Esse é o caminho para conseguir manter tudo em bom funcionamento?
Melo: Nós temos o controle de todas as despesas que são recorrentes. Logo no início do ano nós conversamos com todas as empresas que têm contrato com a Prefeitura e verificamos a possibilidade de algum desconto e o não repasse de reajuste, e conseguimos economizar bastante. Tivemos despensa de pessoal, controle de hora extra, combustível, água e luz. Além disso, fizemos constatações somente para o que é estritamente necessário para dar continuidade ao bom atendimento à população.
MN: Nesse processo de contingenciamento foram cortados eventos característicos da cidade como o Carnaval e a Expo Mogi. Como o senhor avalia a reação da população em relação a isso?
Melo: A grande maioria da população tem apoiado as tomadas de decisão da Prefeitura. Temos muitos compromissos e precisamos tomar algumas decisões, por isso, é preciso muita sabedoria para administrar. A escolha que nós fizemos aqui na cidade foi a de priorizar a Saúde, Segurança e Educação, bem como apoiar as empresas para que possamos gerar mais atividade econômica e, consequentemente, mais empregos. Essas têm sido as prioridades de Mogi, e os mogianos têm entendido isso.
MN: Uma das características dessa gestão tem sido a implantação de serviços online. Essa é uma tendência que deve se expandir ao longo dos próximos anos?
Melo: A tecnologia veio para ficar. Isso tem sido um aprendizado para o Poder Público, porque a iniciativa privada é mais rápida e assimila isso com maior agilidade. Apesar disso, pedimos aos secretários que utilizem a tecnologia para facilitar o dia a dia da população. Assim, ela não tem necessidade de vir até a Prefeitura para ter acesso a algum serviço.
MN: Além dessa agilidade para os cidadãos, de que forma essas ferramentas têm contribuído para o município?
Melo: Os benefícios são muitos, porque elas auxiliam nas ações da economia. Há uma diminuição na quantidade de pessoas que vem até a Prefeitura, então diminui-se também o trânsito. Há uma redução na quantidade de papel utilizado, sem falar da qualidade de vida, já que os mogianos podem resolver os problemas sem sair de casa.
MN: De que forma a vinda do Serviço Social do Comércio (Sesc) deve beneficiar Mogi?
Melo: Estou muito animado para poder trazer o Sesc para a cidade. Entendo que é um equipamento aberto à população. Ele tem um investimento significativo não só para a implantação, mas também para a manutenção, o que gera emprego para a cidade, além de atividades de lazer, esporte e cultura. Eu tenho trabalhado muito para permitir que a cidade ganhe uma unidade no futuro. É uma coisa que não é rápida, mas estamos caminhando.
MN: A implantação do Sesc deve ser uma marca de seu governo?
Melo: Entendo que essa é uma marca para a cidade. Não tenho essa preocupação. Acho que se fosse para escolher uma, eu diria que a marca que o Marcus Melo quer deixar é permitir que pessoas tenham mais qualidade de vida e que Mogi continue sendo uma cidade muito boa. Temos nossos desafios, mas, na média, o município está muito acima de muitas cidades do Brasil.
MN: Atualmente temos grandes obras em andamento na cidade. Já há a realização de estudos para novas intervenções?
Melo: Temos o grande desejo de pedir junto aos governos Federal e Estadual obras que possam melhorar a infraestrutura da cidade. Vamos a Brasília para permitir que o projeto do anel viário de Mogi, existente desde a década de 1980, possa ser concluído, promovendo mais agilidade no trânsito.
MN: Em relação ao Corredor Leste-Oeste, quais vantagens devem ser geradas, além das questões de mobilidade?
Melo: Aquela região é um local com grande potencial de crescimento. É uma área particular que, com a implantação de uma nova avenida, naturalmente irá se desenvolver e isso permite que a cidade continue avançando.
MN: Daqui para frente quais são os investimentos a serem feitos?
Melo: A nossa grande preocupação é a de manter tudo funcionando, o que não está sendo fácil.
MN: Algum outro ponto importante a ser destacado?
Melo: Eu peço e reforço a conscientização da população de que a cidade não é do prefeito. Então, todos nós precisamos colaborar para manter Mogi das Cruzes em ordem para que ela venha a ser cada vez melhor.