urante a campanha eleitoral do ano passado a Cidade de São Paulo protagonizou um acirrado debate em torno da questão dos limites de velocidade nas Marginais Pinheiro e Tietê. A redução da velocidade efetivada pela gestão Haddad foi um dos objetos de critica da campanha Dória. Ao adotar o slogan "acelera São Paulo" como um dos motes de campanha, sua candidatura buscava dialogar com parte significativa do eleitorado que sempre se opôs a tal medida.
Tendência em importantes cidades pelo mundo afora, a redução da velocidade não é encarada como a receita para se acabar com acidentes e atropelamentos. Zerar essas estatísticas não é possível, pois estamos falando da combinação de homem (motorista) e máquina (veículo) e os dois são falíveis. Além disso, temos outros elementos que devem ser considerados. São os fatores relacionados ao meio: irregularidade da via, situação climática, visibilidade do local, condições do tráfico, entre outros.
Na verdade, a redução de velocidade tem por objetivo não apenas a diminuição do número de colisões e atropelamentos, mas, fundamentalmente, reduzir os efeitos de tais acidentes. A velocidade do veículo pode ser a causa determinante do acidente ou um agravante de suas consequências.
Todo corpo em movimento é submetido à lei física que tem o nome de energia cinética. Por exemplo: se uma pessoa de 70 Km/h não estiver usando o cinto de segurança e o veículo se acidenta ela pode ser arremessada para fora dele. Com uma velocidade de 20 Km/h, o peso do corpo projetado é de 420 Kg. Com 50 Km/h, o peso é de 2.625 Kg. E quando a velocidade é de 60 Km/h, o peso do corpo projetado equivale a 3.780 Kg.
Outro exemplo demonstra diferentes consequências para diferentes velocidades. Um acidente a uma velocidade de 50 km/h equivale a uma queda do 3º andar de um edifício. Um acidente a uma velocidade de 80 km/h equivale a uma queda do 9º andar de um edifício.
Nos primeiros meses de 2017 estamos convivendo com significativos aumentos de acidentes entre veículos e atropelamentos em diversas vias de São Paulo. A tendência de queda nesses números que era verificada em 2016 foi invertida, mesmo considerando que a crise econômica continua e, entre suas inúmeras decorrências, está a redução de veículos circulando pela cidade.
Acho que temos elementos suficientes para uma boa reflexão. Afinal, estamos tratando de vidas.