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O possível fechamento do Hospital Municipal Doutor Guido Guida causou indignação e repercutiu entre a população de Poá. Para evitar que a única unidade hospitalar do município encerre os atendimentos, os munícipes sugeriram enxugar a máquina pública através da redução dos salários de políticos e secretários, além do corte de cargos comissionados. Os poaenses se mostraram muito preocupados com a possibilidade de cancelamento do serviço de Saúde.
Essa seria uma alternativa de reduzir as despesas, já que a crise do Imposto Sobre Serviços (ISS) prevê grandes prejuízos aos cofres públicos. Em entrevista concedida na última segunda-feira, o secretário municipal de Governo, Augusto de Jesus, informou que uma comissão instaurada pelo prefeito Gian Lopes (PR) estuda várias medidas para que não falte recursos na cidade, inclusive a redução de salários e cortes de Secretarias.
O chefe da pasta lembrou que o hospital municipal gera um custo de R$ 4,5 milhões ao mês. Diante da situação, o município vai ofertar a gestão do hospital ao Estado. A segunda opção seria a contratação de uma Organização Social (OS) através de uma parceria com o governo estadual. No entanto, caso a proposta não seja aceita, o serviço será mantido apenas enquanto houver receita, caso contrário a Prefeitura não terá como suportar os gastos, segundo frisou o secretário.
A Secretaria de Estado da Saúde informou que ainda não recebeu nenhum pedido oficial da Prefeitura de Poá para assumir a gestão do hospital. A pasta ainda destacou que a região conta com quatro hospitais estaduais e que ainda estão previstos repasses de R$ 485,2 milhões para este ano, R$ 25 milhões a mais que no ano passado.
Indignação
A notícia pegou os pacientes de surpresa. Assustados e indignados com o possível fechamento da unidade, os poaenses sugeriram outras medidas para conter as despesas da Prefeitura, sem que ocorra a necessidade de fechar as portas do Guido Guida.
"Esse é o único hospital da cidade. Se fechar vai refletir em outros municípios que ficarão sobrecarregados", avaliou a estudante Beatriz Cruz, de 20 anos. "Acredito que outras providências podem ser adotadas para que o Guido Guida mantenha o atendimento. Além disso, se cancelar os serviços outro problema se inicia na Saúde: a falta de atendimento".
O comerciante Hanzonne Djahara, 34, também opinou sobre a situação. Ele acredita que o fechamento da unidade é desnecessário diante dos salários dos políticos e da quantidade de comissionados. "O ideal seria diminuir o 'cabide' de cargos, principalmente os que têm salários altos. Por isso que a Prefeitura não aguenta", observou. "Acho que existe muito desperdício de dinheiro público. Tirar o hospital da cidade só piora a situação", concluiu.
O aposentado José Bernardo da Silva, 67, não escondeu a indignação. "É algo que não deveria nem ser cogitado. A Saúde é um serviço essencial e não podem nos deixar na mão. Eu pago os impostos todos os anos com reajuste, mas no salário dos políticos ninguém mexe. Tem vereador com vários assessores e eu não sei para quê tanta gente. Diante dessa crise, a Prefeitura tem que manter, pelo menos, os serviços que já têm".
A autônoma Celita da Silva, 43, teve que cancelar o plano de saúde e, atualmente, utiliza a rede pública. "É um absurdo pensar na possibilidade de fechar um hospital. Eles falam em crise, mas a Prefeitura está cheia de funcionários que não trabalham e ganham bem. Podem começar diminuindo os salários dos políticos e cortando cargos desnecessários. Essa medida já vai economizar bastante", disse a poaense.
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