A reforma trabalhista, vendida como modernização das relações de emprego, foi o maior retrocesso em relação às garantias mínimas dos empregados. O Senado Federal não exerceu o seu papel de discutir as propostas da Câmara, que, por sua vez, apenas homologou a vontade de Temer e do grupo econômico que representa.
Um pacote de mudanças da legislação trabalhista, todas prejudiciais aos empregados, foi determinado pelo presidente e, com o apoio irrestrito do PSDB e dos demais partidos da base aliada, foi aprovado sem qualquer debate, discussão ou oitiva de quem milita na área trabalhista.
Os juízes do trabalho foram solenemente ignorados. Os gênios legislativos esqueceram que são eles, os juízes do trabalho, quem irão aplicar ou não as brilhantes leis criadas a toque de caixa por um governo sem qualquer representatividade e totalmente enlameado de corrupção.
Essa é a vantagem do Estado Democrático de Direito. Se o Poder Executivo pode mandar no Legislativo, liberando emendas, cargos e bilhões de reais para os mais diversos fins, entre eles o de livrar da acusação o presidente, e assim impor a legislação que quer, não há esse espaço na Justiça do Trabalho. Os juízes não recebem emendas, não indicam parentes ou aliados para cargos públicos e por essa razão não ficam na mão do Executivo. Podem e farão o controle difuso de constitucionalidade das novas leis trabalhistas.
Aos advogados de empregados compete arguir em cada nova ação a inconstitucionalidade dos dispositivos da reforma que ofendem a Constituição Federal, e não são poucos. Aos empregados cabe não reeleger nenhum deputado e senador que votou pela reforma trabalhista, nem votar nos partidos que apoiaram a reforma, especialmente o PMDB e o PSDB.
Se em São Paulo o PT é rejeitado pelos casos de corrupção, o PSDB passará a ser pelos ataques aos direitos dos empregados e também dos segurados obrigatórios do INSS, que são as mesmas pessoas. As reformas trabalhista e previdenciária são o maior movimento de opressão legal já visto. Em 2018 os opressores pagarão o preço nas urnas.