O cenário de abandono nos trechos interditados da avenida Governador Mário Covas Junior, a Marginal do Una, virou alvo de queixas da população de Suzano. Esses pontos estão desativados, mas há vizinhança no local e os moradores relatam diversos transtornos por causa da falta de manutenção e fiscalização.
A comunidade que vive no entorno aponta problemas relacionados à proliferação de bichos e mau cheiro, que são ocasionados pelo acúmulo de lixo, que é despejado irregularmente em diversos pontos da via. 
Além disso, a segurança também está sendo prejudicada, já que as condições da pista têm atraído usuários de drogas e estão assustando quem vive nas imediações entre o Jardim Lincoln e a Vila Amorim.
A situação de abandono na Marginal do Una também trouxe um novo morador, que levantou um barraco feito de madeira e restos de construção na área interditada, nas proximidades da Vila Figueira.
De acordo com relatos de vizinhos, o dono do barraco se instalou há 15 dias no local, mas não traz problemas à comunidade da região. Inclusive, disseram que ele limpou a área para construir sua moradia. O único problema é a falta de manutenção no entorno da pista.
A reportagem percorreu os trechos interditados e não encontrou nenhum tipo de fiscalização. As pessoas têm acesso livre com os carros para fazer o despejo de lixo. Também foi possível notar o mato crescendo em meio ao asfalto. E é comum se deparar com todo o tipo de entulho no caminho, como restos de materiais de construção, móveis velhos, pneus, estofados de automóveis e até lixo doméstico.
A dona de casa Roseana dos Santos, de 59 anos, destacou o depósito de lixo que o entorno do córrego virou, alertando para o risco de inundações. "Essa área já foi muito pior do que se encontra hoje, mas ainda gera transtornos. A Prefeitura manda limpar e o povo suja de novo. E também tem o mato que já está cobrindo tudo", denunciou. "O meu medo é uma chuva forte levar toda essa sujeira para o rio e transbordar".
Para o aposentado Alan Ribeiro, 58, falta fiscalização. "A sede da GCM (Guarda Civil Municipal) fica aqui perto, mas não vemos ninguém passar aqui, por isso continuam jogando entulho. As pessoas não respeitam mesmo", avaliou.
Outros moradores das imediações, que pediram para ter a identidade preservada, relataram situações de risco no local. "O meu medo é esse lugar virar uma 'cracolândia', porque sempre aparecem usuários de droga à noite. Sem contar que essas áreas abandonadas podem ser invadidas e virar uma favela. O ideal é utilizar esses espaços para construir praças ou até academias ao ar livre", disse um deles.