Após a posse, o novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, reiterou ontem a defesa do discurso reformista do governo do presidente Michel Temer, avisou que a gestão será "baseada no diálogo", mas evitou responder se acreditava na inocência do chefe do Executivo, que está a uma semana da decisão do plenário da Câmara de aprovar ou rejeitar a abertura de processo contra ele, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o que poderá afastá-lo do cargo.
"Não se trata de uma questão de fé, de se acreditar ou não", respondeu o novo ministro da Cultura. "Fui convidado para fazer um trabalho e espero fazer o trabalho da melhor maneira possível Acho que o Brasil precisa sair da crise, precisa de estabilidade e vou dar minha contribuição para isso. Espero que tudo se resolva, da melhor maneira possível para o País, sempre de acordo com as leis e a Constituição", prosseguiu Leitão, que evitou politizar o tema, ao não responder se achava que se seria melhor para o Brasil a administração Temer continuar ou não. "Já falei o que tinha que falar".
Sobre o clima de radicalização que se formou no País, o novo ministro pediu "bom senso" e "pragmatismo" em busca do consenso para que todos possam empunhar a bandeira em defesa do Ministério da Cultura (MinC) e de fortalecimento do setor. "Esse clima de radicalização não é de interesse de ninguém. Sejamos pragmáticos. Precisamos buscar áreas de consenso para valorizar a cultura e fazer com que o ministério funcione, de fato", disse, ao acrescentar que pretende "pautar sua gestão pelo mais profundo e absoluto diálogo com todos os segmentos da cultura".
Leitão defendeu ainda "mais transparência" e "maximização de recursos" no ministério e lembrou também que existem mais de 20 mil prestações de contas não apresentadas com base no uso de recursos da lei de incentivos à cultura. "O Ministério da Cultura precisa ser mais transparente e mais eficiente", declarou, ao afirmar que fará um diagnóstico do MinC e um planejamento de gestão. (EC)