Diversidade, música, esporte e manobras radicais foram as atrações de lançamento do Projeto Manobras do Bem, comandado pelo skatista Sandro Soares, o Testinha. A ação faz parte de um programa criado pela Organização Não Governamental (ONG) Social Skate, de Poá, que dá aulas gratuitas para crianças e adolescentes no contraturno escolar
A instituição está instalada em uma quadra, na rua Alberto Nóbrega, em Calmon Viana, ao lado do Rodoanel Mário Covas. Mais do que aulas de skate, a ONG orienta, educa e disciplina os jovens da comunidade por meio desse esporte sobre rodas. Uma das exigências da ONG é que os alunos cadastrados estejam devidamente matriculados nas escolas para que possam ser atendidos no contraturno escolar. O espaço também oferece lanches, diariamente, cujo cardápio é feito por um nutricionista.
O projeto Manobras do Bem foi aprovado junto à Lei de Incentivo ao Esporte do Governo do Estado. Dessa forma, a ONG conseguiu angariar R$ 120 mil em recursos para investir nas ações sociais. "Com esse novo apoio, podemos atender até 200 crianças e com uma condição melhor. Agora, podemos dar uniforme, ceder o material e as aulas, que eram voluntárias e só aconteciam aos finais de semana, passarão a ser de segunda a sábado", comemorou Testinha, lembrando que, atualmente, cerca de 150 crianças são atendidas pela associação, incluindo moradores de municípios adjacentes.
A ONG se instalou em Poá há seis anos e, desde então, vem entrosando as crianças ao skate. Além dos pequenos e jovens, o esporte é marcado por uma diversidade de público. O catador Pércio Bugos, de 54 anos, há quatro meses tem se dedicado às atividades e ainda contribui com trabalhos voluntários no espaço."Em uma das minhas caminhadas, encontrei um skate abandonado. Então, trouxe até aqui para que eu também pudesse aprender a andar", contou. Ele ainda destacou que não há limitações para a prática de esportes, pois ele também perdeu a visão em um dos olhos.
Para a agente escolar Elaine dos Santos, 33, a iniciativa tem grande relevância para os moradores da região, inclusive para o filho dela, o pequeno Enzo, de 8 anos. "É importante inserir a comunidade no esporte e tirar as crianças da rua", avaliou.
Além de entretenimento, o skate é levado a sério, como um sonho profissional para o estudante Natan Alves, 16. "Se esse trabalho da ONG não existisse, eu não teria a oportunidade de ser skatista. Esse é um lugar que me fortalece e faz eu querer lutar pelo meu sonho", revelou.