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Ao longo do primeiro semestre deste ano, 730 ocorrências foram registradas pela Delegacia de Defesa da Mulher de Suzano (DDM). Isso equivale a uma média de 121 casos ao mês ou quatro notificações por dia. Destes, pelo menos 80% referem-se à violência doméstica.
De acordo com a delegada titular da unidade, Silmara Marcelino, os números expressivos, apesar de ilustrarem uma triste realidade, também têm um aspecto positivo: o aumento da conscientização e da coragem das vítimas em denunciarem seus agressores e buscarem Justiça. "Os indicadores estão aumentando, mas de modo geral o que temos percebido é que não está havendo uma elevação da violência, mas sim de denúncias. Infelizmente, apesar da DDM existir há dois anos, muita gente não sabem sobre a existência do serviço, então conforme ele vem ficando conhecido, a procura por atendimento também vem aumentando", comentou.
Segundo a delegada, os motivos que levam as vítimas a não denunciarem seus agressores são inúmeros e envolvem inclusive aspectos culturais. "Quando não há uma DDM, por exemplo, isso dificulta a denúncia, porque a mulher vai até a delegacia e ao chegar lá ela se depara com casos como roubo, latrocínio, homicídio e isso a faz pensar que o problema dela é menor que o dos outros, então ela vai embora sem prestar queixa. Além disso, há também situações da própria cultura, onde o marido, por ter sido criado numa sociedade machista, acha natural tratar a mulher desta forma e ela, por sua vez, também acha que não há nada de errado em determinada situação, pois as pessoas acham que violência é apenas agressão física, mas ameaças e violência psicológicas são tão graves quanto", explicou.
E é justamente para evitar que a violência doméstica e contra a mulher sejam banalizadas que a DDM deu início ontem ao projeto "Recomeço". Por meio dele, casais com histórico de violência doméstica participaram ontem de um ciclo de palestras com temáticas ligadas à relacionamento e soluções de conflitos e, dentro dos próximos seis meses, passarão por um acompanhamento.
O objetivo é prevenir que novos incidentes ocorram. "A cada 15 dias eles serão convidados para uma nova reunião para falar sobre a relação, nos dar um retorno deste trabalho e, havendo necessidade, serem encaminhados para acompanhamento psicológico. Ao meu ver a punição por si só não resolve. É preciso que haja essa conscientização do que é certo e errado", concluiu a delegada.
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