A possibilidade de regularização dos parklets em Suzano gerou alguns questionamentos na cidade. O assunto, inclusive, será levado para discussão na Associação dos Engenheiros, Agrônomos e Arquitetos de Suzano (AEAAS).
Há pouco mais de um ano, os bares da rua Sete de Setembro, na região central, foram estendido para a rua através de uma espécie de deck, que ocupa as vagas de estacionamento de Zona Azul. Parte da calçada também é ocupada pelos frequentadores desses comércios durante seu funcionamento, o que dificulta o trânsito de pedestres, que são obrigados a seguir pela rua, ao lado dos veículos.
A implantação desses ambientes teve início no ano passado em caráter experimental, como havia informado a gestão anterior ao Dat, na ocasião. A atual Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação reforçou que os parklets foram autorizados para um período experimental, em parceria com os proprietários dos estabelecimentos. A pasta afirmou ainda que está elaborando um projeto de lei para que esses espaços sejam regularizados no município, já que recebeu um retorno positivo dos participantes da iniciativa.
A nova estrutura foi avaliada e criticada pelo engenheiro civil Gérsio Ignácio. "Esse é um luxo desnecessário que só beneficia os comerciantes. A cidade não tem estrutura para isso. É um município problemático, com a acessibilidade precária. As calçadas já estão mal conservadas", observou. "Quando falamos de parklets, lembramos da avenida Paulista, em São Paulo. Acontece que lá tem estrutura, pois as calçadas são largas e o passeio não fica prejudicado".
O engenheiro ainda lembrou que as extensão desses bares, por meio dos parklets, também ocupam vagas do estacionamento rotativo. "Será que esses estabelecimentos estão pagando pela Zona Azul?", questionou.
Para o arquiteto e urbanista Roberto Saito, a implantação dos parklets é uma tendência e pode ser algo positivo. No entanto, ele destaca a importância de elaborar estudos e analisar as consequências. "Acho importante fazer intervenções urbanas, mas é necessário estudar e avaliar os impactos. Os parklets são tendências e podem ser pontos de referência, porém, é preciso discutir o assunto", disse. "Sou a favor da proposta, desde que haja regras por se tratar de espaço público, como a questão da acessibilidade e os benefícios que a população terá", pontuou.
Como vice-presidente da AEAAS, Saito espera que a administração pública também os consulte sobre a possibilidade de regularização desses ambientes. "Gostaríamos de participar dessas ações que envolvem a cidade. Temos grupos de trabalho com técnicos especializados e acho oportuno termos um diálogo. A gente espera que a prefeitura faça esse contato", concluiu.