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Em tempos de relacionamentos rasos, em que o "eterno" proferido nas juras de amor está chegando ao fim cada vez mais cedo, os votos de "permanecerem unidos até que a morte os separem", mencionados pelos casais no ato do matrimônio, estão, com o passar do tempo, ficando apenas em palavras.
Na maioria dos casos, apesar de continuarem vivendo juntos, o companheirismo e a cumplicidade prometida permanecem apenas nas lembranças dos tempos de namoro.
Mas totalmente oposto a isso é o relacionamento construído e mantido pelos suzanenses Ana Maria Moraes de Farias, de 60 anos, e Luiz Augusto de Farias, 65, casados há quatro décadas. "Nós nos conhecemos no colégio. Namoramos por três anos e depois nos casamos. De lá pra cá, não ficamos um só dia longe um do outro", contou o aposentado.
Durante todo este período foram muitas as experiências compartilhadas, os presentes trocados e também os sonhos realizados, incluindo a chegada dos filhos Luiz Augusto e Luciana Moraes de Farias. Porém, a maior prova de amor veio na semana passada: a doação do rim para a esposa.
A aposentada sofre de diabetes e há dois anos foi diagnosticada com falência renal devido a complicações ocasionadas pela doença. "Há sete anos eu pedi a visão dos dois olhos e em 2015 deram o diagnóstico da falência dos rins. Comecei a fazer hemodiálise em setembro de 2016, mas era extremamente desgastante. Então, optamos pelo transplante", contou.
Inicialmente três familiares se voluntariaram para a doação. Porém, após todos os exames, o marido foi quem teve o órgão transplantado. "Eu, meu filho e meu cunhado éramos compatíveis. Devido ao parentesco, o irmão dela é quem iria doar, por conselho dos médicos, mas nos exames seguintes viu-se que não seria possível e, então, eu não pensei duas vezes", destacou Farias.
Para Ana, a iniciativa do companheiro, é a maior demonstração de amor que se pode ter. "Desde o primeiro momento ele me disse que eu não precisava procurar ninguém, pois ele seria meu doador. Foi um gesto muito grande, que me emocionou. Não dá para explicar", comentou a aposentada.
Já para o esposo, não tinha como ter sido diferente. "Foi como dissemos quando nos casamos 'na saúde e na doença, até que a morte nos separe'. Não fiz isso por obrigação, mas porque temos um comprometimento um com o outro. Sempre foi assim. Não tinha como eu ver a minha mulher sofrendo como ela estava, sabendo que eu podia fazer algo para livrá-la daquilo. A sensação que sinto hoje é inexplicável. Eu me sinto muito feliz em vê-la se recuperando", frisou.
Após o sucesso da cirurgia, o patriarca permaneceu no hospital, na capital paulista, por dois dias em observação e atualmente já está em sua residência. A expectativa da família é que Ana receba alta médica amanhã, para que possa, por mais um ano, celebrar o Dia dos Namorados ao lado do seu amado marido.
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