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Julgado em várias ocasiões sem ter como se defender, o motorista Antônio Carlos da Silva, que dirigia o ônibus com os estudantes naquela noite fatídica, foi relembrado ontem pela irmã Gislaine da Silva com nostalgia e orgulho. "Ele tinha a mesma profissão que nosso pai, falecido em 2010, e amava a profissão dele. Tanto que o melhor amigo dele, depois da morte do meu irmão, mandou fazer uma réplica do ônibus, de mesmo prefixo, e deu como recordação do amor que ele tinha pelo o que fazia".
Gislaine lembra que foi muito difícil para a família ouvir comentários apontando o irmão como culpado até no dia da liberação do corpo dele no Instituto Médico Legal (IML). "Quando tudo aconteceu, eu tinha certeza que algo de errado tinha acontecido com o ônibus, tanto que quando a perícia concluiu a falta de freio, cheguei a me arrepiar. Você perder alguém que ama em uma desgraça anunciada já é difícil, imagina você perder alguém e ainda ouvir ele ser chamado de assassino".
A irmã da vítima afirmou que no dia do acidente soube que ele enviou mensagens à noiva, com quem se casaria em março deste ano, falando que estava com medo por ter muita neblina e pouca iluminação em determinado trecho, porém, que no local do acidente não havia serração. "Só sei que ele era um excelente motorista e um dos sonhos dele era chegar em uma empresa interestadual. Para mim, ele foi um herói e é assim que ele tem que ser visto, porque primeiro houve a mão de Deus, mas depois ele fez a diferença tentando salvar a própria vida e a de todos naquele ônibus. Não salvou todos, mas salvou a maioria", assinalou. (C.I.)