Apesar de mudanças na legislação e de trabalhos de conscientização, o ingresso de um portador de deficiência no mercado de trabalho ainda não é muito comum, e cercado de preconceitos (em pleno século XXI). Para a superação dessa barreira, a motivação e o incentivo precisam começar de dentro de casa.
É o que afirma a psicóloga Simone Aparecida da Costa, membro do Trabalho de Apoio ao Deficiente (Tradef). "É preciso trabalhar a autoestima dessa pessoa. Mostrar que a deficiência pode trazer alguma limitação, mas que ele tem capacidade de aprender novas atividades, ter vida social e trabalhar como qualquer outra pessoa", disse.
Segundo ela, no entanto, a prática hoje ainda é bem diferente da ideal. "Por sermos uma entidade que presta apoio aos deficientes, as empresas acabam nos informando sobre a abertura de vagas para que possamos encaminhar os interessados. Muitas vezes a pessoa até tem perfil para trabalhar na área, mas a família não permite que ela vá ao emprego ou nem mesmo tente conseguir um", comentou.
Atitude não muito diferente é executada pelas contratantes, que dificilmente oferecem oportunidades de livre e espontânea vontade, pensando na inclusão social. "Elas (empresas) cumprem o que é determinado pela Lei de Cotas, ou seja, se estabelecido que 5% dos funcionários precisam ser deficientes elas preenchem esse quadro, mas não abrem vagas a mais", disse.
Para ela, tal cenário só irá mudar quando a sociedade entender que os portadores de deficiência são pessoas capazes de desenvolver certas tarefas, igual ou melhor que qualquer outra pessoa. "Todas têm habilidades que precisam ser exploradas. É isso que tem que ficar claro para a sociedade, além do incentivo aos deficientes, que tem que vir principalmente da família", concluiu. (S.L.)