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Independentemente de ideologia, a percepção geral do brasileiro é a de que estamos mal: nosso sistema não funciona adequadamente e o Estado, embora gigante, não consegue entregar para o povo aquilo que está definido como sua obrigação.
Vivemos sob uma concepção que foi paulatinamente desenvolvida, até ser consolidada na mente da maioria dos cidadãos de que a sociedade entregando dinheiro ao Estado, este haveria de suprir muitas de suas necessidades. É claro que isto, a princípio, parece conveniente e, assim, o acordo foi proposto, aceito, culminando com o cumprimento do compromisso pela primeira parte (a sociedade que entrega o dinheiro), mas sem que a outra parte fizesse o mesmo: o Estado não cuida da sociedade conforme o contrato.
Observemos que a consolidação desses termos se revelou muito interessante para a estrutura estatal, à medida que essa detém um imenso poder e aqueles que se habilitam para representá-la sempre irão fomentar o modelo, com tendência de cada vez mais aumentar o tamanho desse Estado, em vez de reduzi-lo, o que, por sua vez, seria muito mais interessante para a sociedade.
Há quase 40 anos, tentamos alguma coisa nesse sentido através do Ministério da Desburocratização, mas não conseguimos e desde então, muito pouco avanço houve, mesmo com as revoluções tecnológicas do período que favorecem, claramente, a otimização.
Penso que agora vivemos um momento adequado para retomar a discussão e iniciar, imediatamente, um processo gradual de melhoria da atuação do aparelho estatal brasileiro que irá implicar sua redução.
Os fatos comprovam que, em geral, é inocência de nossa parte imaginar que um burocrata de Brasília pode fazer o que precisamos, melhor do que nós mesmos, na base. Assim, é coerente e urgente a reorganização, mas para essa mudança, não adianta apostar apenas em eventuais candidatos a salvador da pátria!
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