Os números do primeiro dia de inscrições para concorrer a 40 vagas da Frente de Trabalho em Suzano surpreenderam a todos anteontem. Quase mil pessoas estão interessadas em ocupar a vaga para cuidar de ruas da cidade e receber menos que R$ 1 mil por mês, além de ter a oportunidade de participar de um curso de capacitação. Esse é o retrato atual da região, do Estado e do País, que sofre com o desemprego e a falta de oportunidades.
Quem anda pelos bairros mais afastados dos centros das cidades do Alto Tietê percebe bem como o desemprego está em alta. São diversas pessoas adultas sem ocupação. Muitos ainda ficam sentados na calçada conversando com vizinhos, outros andam pelas ruas do bairro procurando o que fazer. Independentemente da vontade ou não deste indivíduo em trabalhar, não são poucos adultos nesta situação. São pessoas que, ocupadas, empregadas, ajudariam no desenvolvimento da família e da sociedade.
Em recente pesquisa, dados mostraram que pessoas levam, em média, um ano e meio para se reposicionar no mercado de trabalho após uma demissão. Ou seja, o emprego é um dos bens mais valiosos que se pode oferecer. Capaz de mudar vidas, famílias e modificar o futuro de centenas de pessoas.
Todo município que investe na Frente de Trabalho acaba se destacando em relação às outras. Isso porque esse serviço cuida das condições da vias, retira os matos, parte do lixo, pinta algumas ruas, revitaliza praças, deixa a cidade mais bonita, mais bem cuidada. Sem dúvida, a imagem que você tem quando entra num município diz muito sobre o que você pensa sobre ele. E aqui na região temos cidades que não se apresentam muito bem aos visitantes.
Portanto, o grande número de interessados nas 40 vagas em Suzano mostra que a população quer oportunidade para melhorar de vida. As Prefeituras devem entender que, se não é possível investir mais em Educação, devido à falta de verba, criar empregos, mesmo que temporários, é uma forma de educar seu povo, manter as pessoas ocupadas, com esperança de vencer na vida, aprender e conquistar um bom emprego. É uma forma de diminuir a violência. Quem está empregado, ocupado, tem menos tempo de se envolver com drogas ou com a violência, por exemplo. Proporcionar esperança às pessoas é o mínimo que o Poder Público deve fazer.
Que outras cidades criem vagas para a Frente de Trabalho, e assim fiquem mais bem cuidadas e as pessoas que moram nelas sejam muito mais otimistas com o futuro.