Em meio ao lixo, que não é coletado periodicamente, muitos materiais recicláveis, lama, mato alto, valas abertas e fiação por todos os lados em função dos gatos de energia, mais de 300 famílias vivem na favela localizada no Jardim Monte Cristo, em Suzano. O Dat visitou algumas moradias nesta semana e conferiu de perto as condições bastante precárias a que adultos e crianças são submetidos diariamente.
A água, que não é encanada, chega até os barracos com o abastecimento feito por caminhões pipas ou poços perfurados pelos moradores. "O caminhão traz água quando quer, já ficamos até 13 dias sem chegar água e aí temos que nos virar como dá", detalhou Crisdaiane Gomes, de 24 anos, que mora na favela desde criança.
A energia elétrica, puxada irregularmente dos postes localizado na avenida Paulista, chega fraca até os barracos, em especial os localizados no fundo do terreno. "Tem gente que não consegue nem ligar uma televisão. Vivemos com todo tipo de privação aqui", completou.
As vielas pequenas e de terra impossibilitam também a entrada de ambulância, por exemplo. "Aqui, quem precisa de socorro acaba morrendo, porque não chega atendimento. Sorte de quem tem carro. Uma vizinha mesmo que estava grávida e teve complicações precisou ser levada para o hospital pelo marido. A criança nasceu bem, mas ela infelizmente faleceu após o parto", explicou a catadora Marcia Gomes.
Os moradores da comunidade também relataram as frequentes inundações, principalmente nos meses de verão. "Tem dia que ficamos com a água até o meio da perna e perdemos o pouco que temos. Pedimos que a prefeitura pelo menos corte o mato e faça a limpeza das valas que temos aqui, assim pode ficar mais difícil de transbordar", concluiu. (C.M.)