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Um hotel instalado dentro de uma favela. A informação pode parecer brincadeira, mas é exatamente isso que o Dat encontrou na comunidade existente no Jardim Monte Cristo, em Suzano. Um barraco dividido em quartos abriga hoje um sistema de "hospedagem" para quem quiser passar algumas horas ou mesmo pernoitar dentro da área invadida, localizada nos fundos do terreno da Lagoa Azul.
O hotel tem identificação na fachada e uma porta principal para entrada. De acordo com os moradores da favela, o espaço seria utilizado para prostituição e uso de drogas. "Como pode alguém criar um hotel ou motel aqui dentro da favela? Não devia ser permitido esse tipo de coisa, porque pode atrair usuários de droga, por exemplo", explicou a catadora Márcia Gomes.
Ao lado do hotel, existe uma pequena janela onde é feita a venda de pão e bebidas alcoólicas. Mais dois barracos à frente é possível comprar medicamentos, como dipirona, além de isqueiro, cigarro e outros itens. Uma pequena lanchonete, com venda inclusive de marmitas, também foi aberta com atendimento 24 horas. Assim que a equipe de reportagem entrou na favela, todos estabelecimentos foram fechados.
"O que nós ouvimos é que esses remédios que são vendidos aqui foram roubados de postos de saúde da redondeza. Não existe nenhuma fiscalização aqui dentro e por isso estamos vivendo nessa confusão, cada um faz o que quer", acrescentou Márcia.
Lixão
Há pouco mais de dois anos, o Dat esteve na mesma favela para verificar a denúncia de um aterro clandestino de lixo que estava se formando no local. Na ocasião, entre barracos que foram construídos, uma grande quantidade de resíduos estava espalhada pelo solo. Segundo moradores do entorno, o material descartado seria de um supermercado da cidade. Conforme a reportagem apurou, o descarte hoje não é feito mais.