Passado um ano do acidente ocorrido no quilômetro 84 da rodovia Mogi-Bertioga (SP-98) com o ônibus da viação União do Litoral - que ceifou a vida de 17 universitários mais o motorista -, as famílias das vítimas e o advogado que as representa, José Beraldo, continuam em busca da Justiça. Beraldo e os familiares dos estudantes também estarão hoje, ao meio-dia, no ponto conhecido como "Obelisco" (no início da descida da serra), prestando uma homenagem às 18 pessoas que se foram naquela noite trágica, por meio de uma placa que será afixada no local do acidente com os nomes de todas elas.
"Representamos cerca de 13 famílias, ou seja, a maior parte delas. Recentemente, Daniela de Carvalho Soares Figueiredo (sócia-proprietária da União do Litoral) e dois funcionários do setor administrativo e da gerência de manutenção da empresa, Fernando Antonio Resende e Adriano André do Vale, foram denunciados por 18 homicídios e 12 lesões corporais graves. Então, hoje, eles são réus no processo criminal que tramita no Fórum de Bertioga", explicou Beraldo. "Agora, o juiz mandou intimá-los para apresentarem defesa, que é a resposta escrita. Em breve, teremos audiência de instrução, debates e julgamento. Foi mais uma vitória nessa tragédia pré-anunciada e quero a condenação de todos". 
O advogado acredita que o acidente era previsível, mas que podia ter sido evitado, porque o laudo confirmou falha e falta de manutenção nos tambores de freio. "O ônibus era sucateado, não tinha uma simples revisão periódica e isso é negligência, omissão e eles serão responsabilizados por esse crime", afirmou.
Beraldo ressalta que nas ações cíveis, que estão tramitando, está sendo pedido cerca de R$ 1,2 milhão para cada família e salienta ter conseguido o bloqueio dos ônibus da União do Litoral, para garantir a indenização.
Já na fase criminal, ele diz que o inquérito policial foi concluído com a denúncia e que esse ano deve ser marcada a audiência para interrogatório e oitiva de testemunhas. "Acredito que leva mais um ano ou dois no caso dos processos criminais. Já na área cível, espero que ocorra esse ano", estimou.
Por fim, ele frisa a idoneidade do motorista morto no acidente. "Os responsáveis da empresa tentaram, de forma covarde e em sua defesa, imputar culpa ao motorista. O abaixo-assinado que existia contra um motorista não era contra o que faleceu".