Em novo ato em frente à Prefeitura de Suzano, na manhã de ontem, os servidores públicos municipais, que já completam cinco dias em greve, criticaram duramente os vereadores, que aprovaram, por unanimidade, o reajuste de 4,75% para os funcionários da administração municipal. O aumento salarial da categoria será discutido hoje, em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP).
"O que nós vemos é que essa votação foi planejada e premeditada. Os vereadores pediram uma reunião de dez minutos durante a sessão e depois de meia-hora reunidos eles voltaram e já iniciaram a votação. Nesse mesmo momento, a GCM (Guarda Civil Municipal) já começou a coagir os trabalhadores", detalhou a servidora Valesca Garciano, que atua na área da Saúde. Segundo ela, a Casa de Leis, assim como os guardas, faltaram com respeito. "Fomos todos feitos de bobos, sem contar que colocaram nós todos em risco com aquela confusão".
Na sessão ordinária da última quarta-feira, grevistas e GCMs se enfrentaram após a corporação entender que membros do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Suzano estavam tentando invadir o plenário e quebrar o vidro que separa o público dos vereadores. Três pessoas ficaram feridas durante a confusão, sendo que uma delas teve um corte fundo na cabeça.
"O que aconteceu na Câmara foi resultado da ação de dois GCMs totalmente despreparados, que nos feriram na cabeça com o cassetete. Nós estávamos lá para pedir que a Câmara adiasse a votação, que aconteceu a 'toque de caixa'. A votação só caracteriza que os vereadores são capachos do prefeito (Rodrigo Ashiuchi - PR)", avaliou o presidente do sindicato, Cláudio Aparecido dos Santos, o Ted.
Para a servidora Lídia Aparecida Garcia, que trabalha no setor administrativo da Unidade Básica de Saúde (UBS) da Casa Branca, o sentimento é de revolta. "Sinto nojo dos vereadores, que deveriam discutir o que realmente importa, o que é de interesse da cidade e não projetos de denominação de rua, indicação de fechamento de buraco em rua. A postura deles foi ridícula", criticou.
Em nota, a assessoria de Imprensa da Câmara de Suzano não se manifestou sobre o tumulto ocorrido na sessão de anteontem e comentou apenas a aprovação da proposta encaminhada pela Prefeitura. O Legislativo esclareceu que votou o projeto do Executivo porque foi informado pela administração municipal sobre a realidade financeira da cidade, que impediria um reajuste salarial maior.
Audiência
Ao lado de um grupo de servidores e representantes do sindicato, o presidente da entidade participará hoje da audiência de conciliação no TRT-SP. "A Câmara e a Prefeitura poderiam ter esperado esse encontro antes de votar o reajuste, assim evitaria todo esse desgaste, mas acredito que seja possível entrar em acordo de forma que o servidores tenham seus direitos reconhecidos", afirmou Ted.