Muitos pacientes da rede pública de saúde ficaram sem atendimento ontem em Suzano. A Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Boa Vista estava com os portões fechados. A situação se deu por conta da greve dos servidores públicos, que teve início anteontem e segue por tempo indeterminado. Além disso, a rede de ensino também foi afetada com a paralisação e muitos estudantes ficaram sem aula.
Os impactos foram ainda maiores no período da manhã com a ausência de funcionários nos postos de saúde, pegando muitos pacientes de surpresa. No início da tarde, alguns auxiliares foram encaminhados aos locais para amenizar a situação.
A UBS do Jardim Boa Vista estava com os portões fechados. Haviam avisos fixados na entrada informando sobre a greve. Uma funcionária disse à reportagem do Dat que, no início da tarde, alguns auxiliares foram encaminhados à unidade para dar reforço. "De manhã não teve atendimento. Agora estamos atendendo apenas as consultas agendadas, as gestantes e dando orientações. Procedimentos como curativos e aferição de pressão não têm como atendermos, porque estamos sem equipes de enfermagem", informou.
Mas ainda assim, os portões se mantiveram fechados e, de dentro do posto, a funcionária perguntava aos pacientes o que estavam buscando ali e só autorizava a entrada de quem já tinha agendamento.
A dona de casa Maria Nascimento, 57 anos, não teve sorte. Ela foi até o local para tentar marcar consulta e voltou para casa sem resposta. "Estou com alguns exames prontos e preciso passar no médico. Eu não sabia da greve. Agora vou ter que voltar outro dia e não sei quando, porque não tem previsão da paralisação acabar", disse.
O operador de telemarketing Ailton Marques foi até a UBS do Boa Vista e ali mesmo teve que pegar um ônibus para buscar atendimento na Santa Casa. "Vim trazer a minha irmã que está com catarata e os olhos estão irritados, mas não consegui ser atendido", contou.
No Centro de Saúde (CS) II, que é o posto da região central de Suzano, foi possível encontrar pacientes que sofreram impactos com a greve. De manhã, o atendimento também estava prejudicado. "Eu vim às 11h30 para tomar a vacina contra a gripe, mas pediram para eu voltar depois de meio-dia, porque não tinha funcionários para atender", contou o professor Adilson Sousa Lopes, 47 anos.
Já a técnica de enfermagem Francine Alves, 27, que mora no Boa Vista, não conseguiu atendimento na UBS do bairro e teve que se deslocar até o CS II para buscar medicamentos. "Eu tomo remédio controlado e busco no posto de saúde, que estava fechado. Então vim para o centro", contou.
Os funcionários da creche municipal Elisabeth Ubeda Rodrigues, no Parque Maria Helena também aderiram a greve e os serviços foram prestados parcialmente. Apenas duas turmas foram recebidas de manhã e duas à tarde. Segundo a auxiliar de desenvolvimento educacional, Rayana Pereira, 29, a escola está com menos de 20 funcionários. "Mantemos o atendimento parcial para aderir a greve e reivindicar melhorias, porque além dos salários, queremos melhores condições de trabalho", disse, apontando a falta de estrutura da unidade.