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A Justiça determinou para amanhã a reintegração de posse do conjunto residencial Bosque das Flores, em Suzano, que está destinado aos beneficiários do programa federal Minha Casa, Minha Vida. O condomínio foi ocupado dia 19 de março por centenas de famílias que alegam ser as beneficiárias das unidades habitacionais, pois já estavam cadastradas na Secretaria Municipal de Habitação para receberem as chaves dos imóveis.
Diante das circunstâncias e do risco de terem de deixar os apartamentos, ontem, cerca de 300 pessoas se reuniram em um protesto em frente ao Fórum da cidade, na esperança de o judiciário suspender o processo de reintegração de posse. Na ocasião, os manifestantes batiam panelas e gritavam palavras de ordem para chamar a atenção do juiz Gilberto Azevedo de Moraes.
O Bosque das Flores foi construído no Jardim Europa e tem 500 apartamentos destinados à famílias que vivem em áreas de risco. As unidades populares já foram invadidas em outras ocasiões. Os atuais ocupantes afirmam terem tomado conta dos imóveis com medo de novas invasões.
Os moradores, que antes viviam na favela Portelinha, no Miguel Badra, tem até às 7 horas de amanhã para desocuparem o condomínio. "Os apartamentos estavam prontos e não foram entregues. As famílias ficaram com medo de os apartamentos serem invadidos novamente e ocuparam o local. Fizemos um pedido de suspensão da reintegração de posse e de uma audiência de conciliação, mas o juiz negou", explicou a advogada das famílias, Ângela Quirino de Oliveira. "Os ocupantes são o grupo alvo do empreendimento, que moravam na favela da Portelinha, área de risco. A prefeitura de Suzano, que cadastrou os moradores, nega ajudar os ocupantes, que estão desesperado com a reintegração próxima".
Os conjuntos habitacionais receberam investimentos de R$ 48 milhões. A entrega dos apartamentos estava prevista para julho de 2015 e foi adiada várias vezes, mas nenhum prazo foi cumprido. A nova estimativa de entrega dos imóveis ficou para maio de 2018, segundo a construtora Cury que é responsável pelas obras do empreendimento, fato que revoltou os possíveis beneficiários do programa habitacional. "Não somos invasores, somos moradores. Estamos lutando por uma causa justa. Não estamos negando pagar água e luz. Queremos morar de forma regular. Já estávamos cadastrados para receber esses apartamentos", afirmou a balconista Priscila Pereira Miranda, 32 anos. "Muitos de nós não têm para onde ir. Morávamos no Portelinha e nossos barracos caíram, porque estamos na beira do rio", relatou.
"Não estamos fazendo baderna. O local está organizado e limpo. Só queremos moradia", frisou a estilista Odete Barbosa.
Alguns manifestantes disseram à reportagem do Dat que receberam ameaças dos invasores dos conjuntos residenciais do Jardim Fernandes, que também faz parte do programa de habitação federal e teve a reintegração de posse realizada na semana passada. "Falaram que se sairmos de lá, eles vão invadir", contou um dos manifestantes.
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