Alguns casos de maus tratos contra animais também estão ligados à violência doméstica. Quem alerta é a advogada Ariana Anari Gil, que também é especialista no assunto. Ela desenvolveu uma pesquisa para descobrir os números de casos como estes no município de Suzano. As estatísticas serão apresentadas ao Poder Público, com o objetivo de que sejam implantadas políticas de prevenção e combate para esse tipo de crime.
A advogada apontou alguns estudos já realizados no Brasil. Neles, as estatísticas apontam que os parceiros de vítimas de violência doméstica já agrediram os animais de estimação. "No momento da agressão contra a mulher, acontece de o cachorro avançar para defendê-la e também acaba sendo agredido e recebe chutes", disse Ariana, que também é diretora da subseção de Suzano da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
"Já foram feitos outros estudos. Em um deles, a pesquisadora Maria José Sales Padilha entrevistou 453 mulheres, das quais 50% das vítimas de violência doméstica declararam que seus agressores também foram violentos com os animais de estimação", contou, mas apontando outra pesquisa publicada em um livro, que mostra 46% das mulheres que já foram agredidas também relataram ameaças e agressões contra os animais. "Tem caso de mulher que foi diagnosticada com uma Doença Sexualmente Transmissível (DST) porque o marido tinha relações com o cachorro da família e passou o vírus para a esposa".
Para ter conhecimento dos crimes ocorridos em Suzano e executar ações preventivas, Ariana encaminhou um ofício para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e está encabeçando uma pesquisa, em parceria com o órgão. "É um questionário simples com 12 perguntas objetivas, que começou a ser feito na semana passada. Esse formulário será aplicado durante três meses para que tenhamos dados estatísticos sobre esse tipo de crime na cidade. O resultado dessa análise será apresentado ao Poder Público, para que sejam tomadas providências com ações de combate. A pesquisa é o primeiro passo", disse.
Em Suzano, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente registrou mais de 50 denúncias neste ano, dos quais 48 casos já foram solucionados, três estão com processo em aberto e sete em andamento. Não é possível saber quantos estão relacionados à violência doméstica, porque a DDM não recebe esse tipo de denúncia, por isso Ariana decidiu iniciar esse estudo na cidade.
A advogada ressaltou ainda que os maus tratos também podem ser denunciados por meio da Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (Depa), através do site da Secretaria de Estado da Segurança Pública (www.ssp.sp.gov.br/depa). As penalidades para quem comete esse tipo de crime podem levar à prisão. "O agressor pode receber pena de detenção de três meses a um ano, além de multa de R$ 500 a R$ 3 mil por indivíduo agredido".