A greve dos servidores públicos de Suzano teve início ontem com protestos em frente à prefeitura e passeata pelas ruas centrais da cidade. Cerca de mil pessoas teriam participado, segundo o sindicato da categoria. No entanto, a prefeitura afirma que apenas 200 estariam no ato. Dependendo do avanço das negociações, a adesão poderá se estender para mais funcionários durante a semana.
O primeiro dia, inclusive, já causou impactos na vida de alguns suzanenses que precisaram levar os filhos a escolas e se depararam com os portões fechados. Serviços essenciais, como o Pronto-Socorro Municipal (PS) e algumas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), mantiveram o atendimento parcialmente.
Por enquanto, a greve segue por tempo indeterminado, até que surjam propostas que atendam os interesses dos servidores. A lista de reivindicações da categoria tem 54 itens, segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, Cláudio dos Santos, o Ted.
"As principais reivindicações são a reposição do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), aumento real de 10% e várias outras", disse. "O prefeito não observou a nossa proposta. Ele a desprezou como se nada tivesse acontecido".
Com carro de som, cartazes, apitos e gritos de ordem, os manifestantes se concentraram pela manhã em frente ao Paço Municipal. Em seguida, quando já havia mais pessoas no local, a multidão seguiu em caminhada, passando pela rua General Francisco Glicério, até a praça João Pessoa, e retornando pela rua Benjamin Constant.
"Amanhã (hoje) estará mais forrado de gente. Já foi definido na assembleia que estamos em greve. Sabemos quando começa, mas quando termina somente o prefeito pode nos ajudar", destacou Ted. Os presidentes dos sindicatos dos servidores de Mauá e Itaquaquecetuba também estiveram presentes.
A movimentação chamou a atenção do comércio e causou transtornos no trânsito. Ted comandou a passeata em cima do carro de som, fazendo duras críticas ao prefeito Rodrigo Ashiuchi (PR). A Polícia Militar também acompanhou o protesto, que, apesar do caos, seguiu de forma pacífica.
A professora Silvia dos Santos, contou que a maioria das escolas atendeu normalmente, porém algumas aderiram à paralisação, como foi o caso do Caic, no Jardim Monte Cristo, que fechou no período da manhã e atendeu parcialmente à tarde. "O carro-chefe para uma paralisação é o aumento salarial, porque alcança todos os funcionários. Mas temos também o pagamento da evolução funcional, que é garantido no nosso estatuto. O prefeito confirmou o direito aos servidores que estudaram para ter essa evolução, mas ainda não pagou e não nos deu nenhuma resposta por escrito", afirmou.
A reportagem foi até a unidade escolar e também se deparou com a UBS vizinha do Caic de portas fechadas.
Nota
Em nota, a Prefeitura de Suzano informou que, segundo a Guarda Civil Municipal (GCM), pouco mais de 200 pessoas participaram do movimento.
O governo ainda fez um levantamento da adesão. Na Educação, de 2.317 funcionários, 370 pararam. Nas escolas, não houve ausência nem de 15% dos servidores. Na Secretaria de Manutenção e Serviços Urbanos, apenas 7% aderiram à paralisação.
Na Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, 5,5% aderiram. Já na Saúde, a prefeitura informou que não houve nem 18% de paralisação.