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Com a UTI Neonatal da Santa Casa de Mogi das Cruzes superlotada, o secretário de Saúde Marcello Cusatis subiu o tom para cobrar investimentos e atenção do governo do Estado para o setor. O gestor afirmou que o problema é recorrente na cidade e criticou a Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross) que, segundo ele, encaminha pacientes mesmo com a maternidade lotada. A declaração foi dada durante a audiência de prestação de contas da área de Saúde, na Câmara.
A UTI Neonatal da Santa Casa conta com nove leitos, mas ontem 13 bebês estavam internados no local. Para acomodar o excedente, estruturas foram locadas pelo hospital. De acordo com Cusatis, o setor de Cuidados Intermediários, que tem 25 leitos, está com 33 bebês. A área de ortopedia ainda está sendo utilizada para acomodar as gestantes.
O secretário destacou que a superlotação da UTI Neonatal é preocupante. "A cada dois ou três meses enfrentamos esse tipo de problema. Temos falado com as outras cidades e com a Secretaria de Estado da Saúde, que tem que nortear essa situação. Não dá para mandar pacientes de Biritiba Mirim e Salesópolis para cá", ressaltou, criticando ainda a denúncia recebida pelo Ministério Público (MP). "A Vigilância Sanitária do Estado recebeu uma denúncia de superlotação da Santa Casa. Da última vez chegaram a multar o hospital, isso é um absurdo, ridículo. Vai multar o Cross, que não consegue vaga, as outras cidades que recebem recurso do governo do Estado e não fazem o que tem que fazer. Isso é brincadeira, mas não vamos deixar brincarem mais com a Santa Casa. Vamos comprar uma briga boa", destacou.
Cusatis afirmou que mesmo com o esvaziamento da UTI Neonatal e da maternidade, a cidade continuará cobrando esforços do Estado. "Não estamos falando isso de hoje. É algo muito sério. Dar dignidade não só para Mogi, mas para região, é obrigação do poder público. Precisamos entre 10 e 15 leitos obstétricos e mais uma UTI Neo com dez leitos", reforçou.
Para o secretário, é preciso encontrar uma solução regional para o problema da Maternidade da Santa Casa. Ele acrescentou que a demanda das outras cidades não reduziu. Cusatis informou que encontrar local para uma nova Maternidade ou ampliar a que já existe é o menor dos problemas, a questão é o custeio do serviço, que é de responsabilidade dos governos estadual e federal.
Segundo o secretário, o hospital está tomando todos os cuidados, mas o risco de contaminação é real. "Se existe regra é para não ter infecção. Se foi estabelecida uma capacidade ela não pode ser ultrapassada. Pode ter infecção? Claro que pode, mas aí nasce onde?", questionou.
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara, Francisco Bezerra de Melo Filho (PSB), o Chico Bezerra, avaliou positivamente a audiência. "Precisamos de pelo menos mais 20 leitos e três de UTI Neo. O custo é muito alto, mas há necessidade. A Santa Casa tem sido prejudicada pelas outras cidades que vem nos procurar", destacou.
Estado
Sobre a vistoria na Santa Casa, o Grupo de Vigilância Sanitária (GVS) da Grande São Paulo esclareceu que o relatório com pareceres será direcionado ao MP. Em relação às críticas do secretário de Saúde de Mogi ao Cross, o Estado terá oportunidade de se posicionar hoje.
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