O ex-prefeito de Mogi, Junji Abe (PSD), poderá assumir a cadeira do deputado federal Paulo Maluf (PP), caso o político tenha realmente seu mandato cassado, conforme condenação divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que inclui também sete anos, nove meses e dez dias de reclusão pelo crime de lavagem de dinheiro em 1996. O político ainda poderá recorrer.
Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, o deputado usou contas no exterior para lavar dinheiro desviado da Prefeitura de São Paulo no período em que ele comandou o Executivo, entre os anos de 1993 e 1996. A condenação só será oficialmente informada para a Câmara dos Deputados após sua publicação oficial, o que pode ser feito em até 60 dias.
Apesar da possibilidade de assumir como deputado federal pela segunda vez, Junji afirma que é preciso ter tranquilidade nesse momento, já que a possível cassação de Maluf ainda depende de muitos processos burocráticos. "Sei da complexidade desse processo todo e por isso encaro com total serenidade essa condição de poder assumir o cargo. É preciso manter os pés no chão nesse momento", explicou.
O ex-prefeito enfatizou que a condenação do atual deputado não tem qualquer relação com a Operação Lava Jato, já que se trata de denúncias antigas, e que a chances de recurso existem. "Não sei ainda como está o calendário nesse sentido, porque tem o prazo para publicação da condenação do STF e a cassação de mandato deve partir da própria Câmara", completou.
Apesar disso, Junji ressalta estar à disposição e preparado caso realmente seja chamado como deputado suplente. Ele tem condições de assumir a cadeira em função do coefiente eleitoral da coligação, que ficaria alterado com a saída de Maluf. "Se trata de um período muito difícil na política nacional, mas estou pronto para cumprir o meu papel caso seja necessário".