O juiz Bernardo Julius Alves Wainstein, da 2ª Vara Federal de Mogi das Cruzes, realizou na tarde de ontem uma inspeção judicial surpresa no Centro de Detenção Provisória (CDP), no distrito do Taboão, a fim de conversar com três detentos acusados de crimes de competência da Justiça Federal, e também para verificar as condições em que se encontram os demais presos que estão sob a custódia do Estado.
A equipe do Mogi News acompanhou a vistoria e entrou nas dependências do presídio com o juiz federal, sua oficial de gabinete Verônica Mori, agentes de segurança judiciária, defensoras públicas da União, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mogi, Lincoln Nakashima, e demais representantes. O grupo foi recebido pelo diretor geral do CDP de Mogi, Silvestre Moutinho Baltar, por Sidnei Antônio Nunes e Fernando José de Freita. 
A direção do presídio mostrou ao juiz, que realizou a primeira inspeção na unidade, como é feito o ingresso dos presos no sistema penitenciário local, mostrando desde o primeiro portão aberto, por onde eles entram, até a parte do prédio onde ficam as celas do "seguro" (presos ameaçados de morte ou acusados de estupros e crimes repudiados pela comunidade carcerária) e as celas do "castigo", onde ficam por 30 dias os detentos que apresentam mau comportamento. 
Em seguida, os diretores do presídio levaram a comitiva para conhecer algumas dependências do Centro de Detenção Provisória que, como o próprio nome diz, abriga somente presos em caráter temporário. "Hoje (ontem) temos 157 condenados aqui, mas já tivemos muito mais. Pelo menos 100 deles vão ser transferidos amanhã (hoje)", contabilizou Baltar. 
Estima-se que o CDP de Mogi tenha, conforme levantamento feito em fevereiro deste ano, uma população prisional de cerca de 1.926 pessoas para 844 vagas, ou seja, uma média de 2,28 presos para cada vaga.
A direção do presídio também mostrou a despensa de medicamentos, o consultório dentário, a sala de teleaudiência, uma maquete de toda a unidade (usada também para fins estratégicos) e chamou os três presos sob a custódia para conversarem com o juiz. Para Wainstein, eles disseram estar sendo bem tratados e que não haviam notado nenhum problema. "No geral, estava tudo bem. Minha avaliação é positiva", concluiu o juiz.