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O projeto de lei que instituiria cotas de 20% para negros e pardos em concursos públicos foi rejeitado pela Câmara de Poá, por nove votos a sete. A proposta, de autoria do vereador Azuir Marcolino (PTB), foi votada em segundo turno na pauta da última terça-feira e será arquivada. Na ocasião, o resultado gerou revolta entre os integrantes de movimentos negros da cidade, que protestaram.
A primeira votação da proposta ocorreu em 11 de abril, quando foi aprovada por 14 votos a um. O resultado do pleito de terça-feira causou indignação do petebista, responsável pela criação da propositura. "Foi uma surpresa, porque a maioria dos vereadores tinham se posicionado a favor da pauta. Não entendi o que aconteceu, até porque essa lei não traz nenhum prejuízo aos cofres públicos", lamentou Azuir.
O parlamentar garantiu que não vai desistir da medida e, na próxima oportunidade que tiver, retomará o projeto para uma nova discussão. O político defendeu o projeto e justificou: "Visitei grandes empresas e foi possível notar que os negros estão ausentes em cargos administrativos e em laboratórios. Já, quando chegamos no setor de carregamentos de caminhões, eles estão mais presentes. É preciso mudar esse cenário".
Já o vereador Luiz Eduardo Oliveira Alves (PTN), o Edinho do Kemel, se posicionou contra o projeto de lei na última terça-feira. No primeiro turno, ele votou a favor, mas explicou que o posicionamento foi favorável para que houvesse um debate sobre o assunto antes do segundo turno, enfatizando que sempre foi contra cotas raciais. "O assunto precisava ser debatido antes da última votação, porque isso é democracia", justificou. "Delimitar porcentagens para etnias em concurso público vai incentivar ainda mais o racismo. Essa divisão tira o poder de igualdade", afirmou.
O vereador Saulo Souza (SD) também se posicionou a favor do projeto de lei nos dois turnos. Ele lembrou que a abolição da escravidão completou 129 anos dia 13 de maio e que ainda reflete no mercado de trabalho para o público-alvo da proposta. "Eles foram libertados e colocados a mercê da própria sorte. A aprovação desse projeto era uma questão de coerência. A gente lamenta e se solidariza com a população negra", disse.
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