Quatro anos após desistir de instalar uma usina de incineração de lixo em Mogi das Cruzes, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) sinalizou que pretende resgatar a ideia. O presidente da autarquia, Jerson Kelman, informou que a empresa estuda ampliar sua atuação no setor de destinação de lixo na Grande São Paulo. Em contato com a Sabesp, a companhia informou que o projeto ainda é embrionário.
Em 2011, as Prefeituras de Mogi, Guararema, Biritiba Mirim, Salesópolis e Arujá procuraram a Sabesp para que uma Central de Tratamento de Resíduos fosse instalada em Mogi. Na época, se chegou a analisar três possíveis áreas (Jundiapeba, Vila São Francisco e Taboão), no entanto, em 2013 a companhia desistiu do projeto para instalação da usina de incineração alegando questões de ordem financeira.
Agora, Kelman defendeu que uma solução para destinação do lixo produzido pelas cidades da Região Metropolitana seja pensada. Para o presidente, a incineração é mais viável que a construção de aterros sanitários. Ele defendeu ainda que o processo da queima dos resíduos também geraria energia. O modelo citado pelo executivo é utilizado em Paris, na França, que conta com três estações que beneficiam e incineram o lixo produzido por uma população de cerca de 6 milhões de pessoas. A Sabesp estuda também queimar o lodo gerado durante o processo de tratamento de água e esgoto.
A questão do lixo é um problema enfrentado por boa parte dos municípios brasileiros, que acabam enviando seus resíduos para lixões. Existe uma lei que determina o fim dessas estruturas. Inicialmente eles deveriam ser extintos em 2014, mas o prazo foi adiado para 2021.
No Alto Tietê, a maioria das cidades contrata uma empresa para recolher o lixo e destiná-lo para aterros sanitários. Em Arujá, a prefeitura gastou em 2016,
R$ 9.641.607,85, com o serviço, ou seja, uma média de R$ 803 mil por mês. Mensalmente o município produz cerca de duas mil toneladas de lixo. Suzano gasta R$ 2,1 milhões por mês para recolher uma média de 7 mil toneladas de resíduos. A Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos investe
R$ 1 milhão por mês para recolher uma média de 120 toneladas de resíduos por mês. Em todas, o lixo é levado para Centro de Disposição de Resíduos (CDR) Pedreira, em São Paulo.
Guararema produz cerca de 800 toneladas de lixo por mês. O resíduo é recolhido pela própria administração municipal que encaminha o montante para o aterro sanitário municipal. O orçamento anual do serviço é de R$ 2 milhões. Em Biritiba, o lixo também é recolhido pela prefeitura e levado para um pátio transitório. A administração municipal paga uma empresa que transporta os resíduos para a cidade de Jambeiro pelo custo de
R$ 145 a tonelada. O município produz 700 toneladas de lixo por mês.
Em Mogi são investidos R$ 2.581.277,11 no recolhimento e destinação das 10 mil toneladas de lixo mensalmente. Os resíduos são encaminhados para Jambeiro.
A reportagem procurou as cidades de Itaquá, Santa Isabel, Arujá e Poá, mas não obteve resposta.