De acordo com os procuradores de Ferraz de Vasconcelos, a ação que levou a prisão de Acir Filló teve início com a investigação da fraude em um processo licitatório, cujo objeto foi a contratação da empresa Salmo 23 para prestar serviços de informática na prefeitura. No entanto, os trabalhos não foram prestados como previsto no contrato. O ex-prefeito também é citado em outros processos de improbidade administrativa que o levou ao afastamento do cargo, em 2015. A procuradoria lembrou que o patrimônio do político pode ser de até
R$ 50 milhões.
A procuradora Sandra Cristina Holanda esclareceu que houve falsificação de documentos, o que levou a procuradoria a iniciar uma sindicância para apurar os fatos. "Propusemos a ação de improbidade por conta da ilegalidade na contratação da empresa. No decorrer do processo teve falsificação de um documento público. A partir daí apresentamos ao MP, para que fosse promovida uma ação penal. A empresa tinha apenas dois funcionários para atender toda a demanda da prefeitura. E o serviço não foi prestado".
Segundo o procurador Gustavo Rossignolo, essa ação teve início em 2015. "Têm vários processos na Justiça federal e estadual contra o Filló. São várias demandas", revelou. "O patrimônio dele está em torno de um desvio de
R$ 40 a R$ 50 milhões. Por isso têm tantas ações".
A procuradoria informou ainda que existem mais de 20 processos envolvendo o político. "Ainda tem mais coisas para acontecer. Nós fizemos várias representações ao MP. Esse não foi o único processo que representamos. Por enquanto é o único que deu resultado, mas temos outras representações e estamos aguardando", disse Sandra.
A procuradoria lembrou que, durante a gestão de Filló, alguns procuradores sofreram perseguições. "Três procuradores foram afastados de suas funções ilegalmente. Eles estão amparados por mandados de segurança para continuar no trabalho", contou Sandra. "Durante toda a gestão dele foi muito difícil para nós. Tivemos que fazer várias representações. Não conseguíamos ter acesso a documentos e não era possível fazer o nosso trabalho. O Filló alega que é uma questão política. Nós não temos partido, não somos de Ferraz, somos de outras cidades e trabalhamos pelo município", frisou a procuradora.