Pacientes que realizam tratamento contra o câncer no Hospital Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, tiveram ontem um dia especial, com a distribuição de perucas para as mulheres que lutam contra a doença, feita pela Organização Não Governamental (ONG) Cabelegria. Mais do que "devolver" os cabelos às pacientes, a entidade consegue resgatar a autoestima e alegria das beneficiadas. Essa foi a segunda vez que a ONG doou perucas às pacientes da unidade. A expectativa era de que mais de 20 mulheres fossem atendidas pela iniciativa. 
O Banco de Perucas Móvel é adaptado para receber as pacientes. O caminhão conta com dezenas de modelos de perucas que as pacientes podem escolher. Diante do espelho elas optam por aquelas que lembram o antigo cabelo ou por qualquer outra que as agradem. Durante a primeira visita da ONG Cabelegria ao Hospital Luzia de Pinho Melo, 28 perucas foram doadas.
A recicladora Odete Maria da Silva Rocha, de 56 anos, foi uma das atendidas pelo projeto. Ela iniciou o tratamento contra o câncer de mama no ano passado e perdeu os cabelos logo após o começo da quimioterapia. Vaidosa, para ela, ter uma peruca era um sonho distante. "Passei em frente a uma loja que vendia perucas, mas elas são muito caras. Agora, com essa doação, acho que minha autoestima vai subir. Gosto de me arrumar. Quando usá-la, acho que ninguém vai me reconhecer", disse.
A cumplicidade era visível no olhar da aposentada Silvana Aparecida Nunes, 49, e do marido Edson dos Santos, 50. Ele acompanhou e ajudou a mulher durante a escolha da peruca. "A pessoa se sente mais tranquila e amada. Esse momento do tratamento é muito difícil, pois elas ficam sensíveis e perdem uma parte importante do corpo, que é o cabelo. Já nos sentimos alegres 24 horas por dia, não tem tempo ruim. Falo que isso é passageiro, quanto mais aceitamos a dificuldade, mais fácil fica enfrentar a vida", ressaltou.
A líder de padaria Maria Lucia Batista de Melo, 49, saiu do hospital com uma peruca parecida com os cabelos que tinha antes de começar o tratamento contra o câncer. "A satisfação é imensa. Espero que esse trabalho não pare, pois ajuda muito quem passa por essa adversidade da vida. Nossa autoestima vai lá em cima. Essa iniciativa nos dá mais força para lutar contra essa doença. Ficamos mais fortes. É uma vitória", avaliou.