Em todos os campos, o descaramento, a falta de sensibilidade, o desinteresse profissional, tem se tornado rotina entre nós.
Não bastasse a caterva de parlamentares que tem espezinhado a todos nós, dilapidando o erário em proveito próprio, instituições de primeira grandeza, aquelas que elegemos para prestar serviços de capital importância, têm, com visível acomodação, negligenciado em suas sacerdotais missões.
Dentro do quadro, sobressai a Polícia Militar do vizinho Rio de Janeiro!
Enganam-se os que pensam que me refiro à covarde morte de dois facínoras, sem condições de defesa, por "justiceiros fardados". Suas condutas, por mais que enlameiem o uniforme, hão de ser reputadas como pessoais, individuais, não se podendo toma-las como o proceder da tropa à qual se acham incorporados.
Minha lástima vai muito além, e se baseia em gravações que se tornaram públicas!
Em verdadeira batalha urbana, não é novidade, os milicianos têm se engajado em combates diários com traficantes nos morros.
Em um desses, desesperado e dando ciência de baixas sofridas, o comandante da operação suplicava, no rádio que dispunha, por reforços, eis que "tudo estava uma loucura"!
Recebendo seu apelo, o superior hierárquico a quem estava afeta a ordem para o deslocamento de mais policiais, calmamente, e de maneira abusiva ao meu ver, negou-lhe a pretensão, dizendo que tinha quatro mil pessoas em fila para assistir show de jovem cantor, e que aquilo era prioridade!
Confesso que não entendi muito bem: os agentes da lei empregados - no caso - pelos cariocas objetivaram em primeiro lugar defender interesses privados, passando ao largo do grande problema que assola o país como um todo, dando de ombros aos companheiros supliciados, pouco se lixando pelo apuro sem conta dos colegas!
Não sei se a idade me faz cada dia mais implicante, ou se, de fato, o papel do tal senhor foi calhorda ao extremo, demonstrou preguiça de sair da zona de conforto, ou covardia no cumprimento do seu dever. Digam-me os leitores!