Descaso com a saúde dos munícipes e com a manutenção, tanto do posto de saúde local (a Unidade de Saúde da Família - USF Nícea Louzada), quanto com as ruas dos bairros, é o que relatam moradores dos Jardins Nícea e Pinheirinho e do Cidade Nova Louzada, em Itaquaquecetuba. 
De acordo com a costureira Candida Telles, de 36 anos, que saía ontem do posto, ela, que é boliviana e mora há dez anos no bairro, tem notado, com frequência, a falta de remédios no posto para crianças ou adultos. "Sempre foi assim", disse.
Já Maria Gomes, 62, que ontem também saía da USF, onde tinha ido fazer inalação, comentou o mesmo fato: de que é constante a falta de medicamentos básicos no local, como os para pressão arterial. "Muitos moradores daqui falam que sempre falta remédio no posto", lamentou.
A comerciante Elizabete Aparecida Rodrigues Pedro, 43, disse que, um mês atrás, "passou tanto nervoso" na unidade de saúde que preferiu ir embora com a filha de 5 meses do que ficar esperando mais tempo para ser atendida. "Moro há 21 anos aqui e o posto, acredito eu, tem mais de dez anos. Sempre foi assim; um puro descaso. Mas, desta última vez que precisei, o atendimento estava muito ruim e, para piorar, quando fui usar o banheiro, me disseram que não podia porque estava todo entupido. Realmente, às vezes, o esgoto transborda pelos canos e escorre todo para a rua. É comum essa situação", afirmou.
A moradora disse que, ao ir embora, procurou atendimento no posto de saúde do Jardim Caiuby, mas que agora espera que a nova direção do posto do Nícea Louzada - que, segundo ela, demonstrou boa vontade em equacionar os problemas -, melhore as condições da unidade. Vale lembrar que o jornal também relatou, recentemente, a falta de medicamentos básicos e demora no encaminhamento de exames no posto do Caiuby.
Mato e alambrado
O mato ao redor da USF também está alto e na calçada estava sendo retirado pelos próprios moradores do bairro Adriano de Araújo Santos, 40, e Ronaldo Rodrigues dos Santos, 35. "A prefeitura raramente vem cortar o mato ou fazer manutenção. Então, a comunidade mesmo é que tira", disseram.
Além do matagal em frente ao posto, um pedaço lateral do alambrado está quebrado, o que facilita a ocorrência de furtos no interior da unidade.
O Dat procurou pessoalmente o secretário municipal de Finanças e Saúde, Willian Harada, na Secretaria de Saúde, porém não o localizou até o fechamento desta edição.