Os pacientes da rede municipal de Saúde de Ferraz de Vasconcelos reclamam que não conseguem agendar exames laboratoriais e denunciam a falta de materiais para a realização de procedimentos simples, como por exemplo a coleta de sangue. Devido à urgência de alguns casos, há pacientes que recorrem a rede particular. Mas quem não tem condições de arcar com os custos, conta com a sorte e aguarda a disponibilidade do sistema público.
A equipe de reportagem do Grupo Mogi News esteve em Ferraz e ouviu a população, que afirma aguardar de quatro meses a um ano para um simples agendamento. "Se a vida de alguém depender disso, morre sem fazer o exame", desabafou o aposentado Antônio Pereira Neves, de 60 anos, que aguarda há meses para fazer um hemograma, junto com a esposa. "Quando a gente questiona os funcionários, eles justificam dizendo que não têm nem o tubo para fazer a coleta de sangue e não dão prazos, porque não sabem quando que a situação vai ser normalizada", disse, acrescentando que já ouviu muitos servidores contarem a ele que a administração municipal não tem verba para repor os materiais.
A dona de casa Cristiane Santos, 42, espera a disponibilidade da rede pública para fazer exames como ultrassonografia e mamografia. Ela aguarda há cerca de quatro meses e vai recorrer à rede particular. "A espera pode agravar a situação. E eu estou desempregada, então fica ainda mais difícil custear os exames", contou. Ela ainda disse que fez alguns orçamentos e a mamografia mais barata ficou em torno de R$ 200.
A dona de casa Flávia Pereira, 35, precisou agendar um exame de sangue para a filha de 10 anos, mas aguarda desde o ano passado. "Eu tenho que ir para outra cidade para conseguir atendimento. Vou para Mogi", afirmou. "Os funcionários das unidades de saúde dizem que não têm equipamento para a coleta do material de exame e nem dão prazos de quando vai ser possível agendar".
A falta de estrutura para atender os munícipes também chamou a atenção da Câmara. O vereador Claudio Roberto Squizato (PSB), inclusive, é autor de um requerimento que questiona o Executivo sobre a falta do serviço na cidade, que já ocorre há mais de 30 dias, afetando principalmente o pré-natal de gestantes. Na ocasião, o parlamentar também ameaçou acionar o Ministério Público (MP).
A reportagem tentou entrar em contato com o vereador, mas não teve sucesso. No entanto, a Câmara informou que o parlamentar não chegou a acionar o MP, mas convidou o secretário municipal de Saúde Marco Aurélio Alves Feitosa para dar explicações sobre a situação, às 10 horas de hoje.
A reportagem também entrou em contato com a prefeitura, que ficou de dar um posicionamento sobre o assunto ainda nesta semana.