Uma das principais reclamações das pessoas em várias cidades é a falta de remédios em postos de saúde. Muitos pacientes são atendidos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e saem de lá sem o medicamento adequado para o tratamento. Esse é um tema sempre presente nos debates em época de eleição. Estes produtos são comprados pelas prefeituras com dinheiro do povo, pago em impostos.
Anteontem, uma promotora de Justiça, com mandado em mãos, entrou no gabinete do vereador Denis Cláudio da Silva (DEM), o Filho do Pedrinho do Mercado, na Câmara de Suzano. Centenas de remédios, comprados pela prefeitura na gestão passada, foram apreendidos na sala do parlamentar. Denis foi procurado pela polícia em alguns endereços, mas não foi localizado. Até a tarde de ontem, ele ainda não tinha sido encontrado para falar sobre o caso.
A consequência esperada agora é que a Justiça continue investigando esta ocorrência, explique por qual motivo os medicamentos estavam no gabinete deste vereador, qual era a finalidade e qual a punição será aplicada caso se comprove o crime de peculato ou ainda de receptação, como foi mencionado pela Justiça.
Denis foi o vereador mais votado na última eleição. Ele foi presidente da Câmara na última legislatura, portanto é um político muito conhecido e com um enorme número de eleitores que confiam em seu trabalho. Seu pai, Pedrinho do Mercado, também é muito famoso no município por ajudar suzanenses de várias formas. Nos últimos anos, ele utiliza uma ambulância particular para levar pessoas a hospitais e outras unidades.
O desvio de medicamentos pode ser um dos crimes mais prejudiciais para uma população como a de Suzano, carente de serviços de qualidade na área de Saúde. Que o vereador prove que não está envolvido em nenhum esquema ou irregularidade, pois milhares de suzanenses apostaram em seu trabalho para fazer da cidade um lugar melhor.
Como já dito em tantos artigos e editoriais, a impunidade está acabando neste País. Operações como a Laja Jato mostram que políticos podem ser presos e pagar por crimes contra a administração pública. Uma mudança de postura tardia, mas necessária em nossa sociedade. Andar na linha não é mais do que a obrigação para qualquer cidadão, político ou não. A Justiça tem mostrado sua força.
Neste ano, Suzano já foi notícia por causa de desvio de verbas em um cemitério. Agora é sobre remédios na Câmara. Será que existem ainda mais casos desse tipo na cidade?