Familiares do paciente João Pedro dos Santos Francisco se queixam de dificuldades para conseguir agendar uma consulta para o menino no Ambulatório Municipal de Saúde Mental de Mogi das Cruzes, localizado no Parque Monte Líbano.
A criança, de 9 anos, sofre de transtornos psicóticos e necessita de medicamentos como Quetiapina e Respiridona, para evitar a ocorrências de surtos. No entanto, segundo os reclamantes, para conseguir ter acesso aos remédios por meio da rede pública de Saúde é necessário o preenchimento de um formulário que deve conter a assinatura de um médico psiquiatra atuante no município. Desta forma, a não realização da consulta tem comprometido seu tratamento.
"Ele anda tendo surtos frequentes e, por isso, fica bastante agressivo. Mas não é culpa dele. Ele precisa dos remédios para que isso seja evitado. Só que é uma burocracia muito grande para conseguir o medicamento. A gente já não sabe mais o que fazer", contou a dona de casa Matilde Souza dos Santos, de 60 anos, avó do menino.
Segundo ela, há duas semanas novamente buscou a unidade na tentativa de conseguir atendimento, porém, não obteve sucesso. "Os funcionários disseram que não dava para ele se consultar porque tinha faltado em uma consulta que tinha sido agendada anteriormente. O problema é que eles mesmos disseram para não levá-lo em ocasião de surto, porque nada poderiam fazer. Por isso, procuramos um hospital e então não conseguimos ir até o ambulatório", explicou.
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde informou que "não tem demanda reprimida para psiquiatria infantil", uma vez que uma médica da especialidade foi contratada no último concurso público realizado.
Além disso, destacou que uma consulta foi agendada para o paciente na unidade para a próxima quarta-feira. "Esclarecemos, no entanto, que na última visita à unidade a família foi orientada a escolher um local para acompanhamento do paciente, que também faz tratamento em São Paulo, visando a qualidade do atendimento".
Por fim, esclareceu que quanto aos casos de surto "a referência em nossa região é o Hospital Luzia de Pinho Melo, no bairro do Mogilar", concluiu.