Preocupados com os impactos que as possíveis mudanças no funcionamento do Hospital Luzia de Pinho Melo deverão gerar nas cidades, os integrantes da Câmara Técnica de Saúde do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) defendem uma audiência com o secretário de Estado da Saúde, David Uip. Além de esclarecimentos sobre os boatos de alteração no atendimento dos setores de pronto-socorro e psiquiatria do hospital, eles também reforçam a necessidade de parcerias para otimizar outros serviços, como hemodiálise e órteses e próteses.
O pedido foi acolhido pela direção do Condemat, que está pleiteando a audiência com o secretário David Uip para a agenda mais próxima. Na pauta de assuntos a serem abordados com o representante estadual, o principal deles é o posicionamento oficial do Governo do Estado sobre possíveis alterações no pronto-socorro e na urgência psiquiátrica do Hospital Luzia de Pinho Melo, que fica em Mogi das Cruzes e é referência para o Alto Tietê.
As notícias que estão circulando apontam que o pronto-socorro do hospital deixará de funcionar de "portas-abertas", passando a atender apenas pacientes encaminhados por unidades de saúde. Ao mesmo tempo, o Luzia poderá deixar de ser a referência regional para os casos urgentes de psiquiatria. "Os boatos estão cada vez mais fortes, mas não temos nenhum posicionamento oficial e se essas alterações ocorrerem, sem um debate com a região, os impactos serão muito grandes para todos os municípios", aponta Téo Cusatis, coordenador da Câmara Técnica de Saúde do Condemat.
Em reunião na última terça-feira, os secretários de saúde que integram o grupo de trabalho do Condemat também reforçaram a necessidade do Estado informar oficialmente o início de funcionamento do Centro de Oncologia do Hospital Luzia, previsto para esse semestre. "Precisamos ter informações reais sobre o atendimento em Mogi para nos preparar. Hoje, mais de 50% dos pacientes da região faz o tratamento fora das referências regionais, o que acarreta um grande desgaste para eles e gera um custo alto de transporte para os municípios", ressalta o coordenador.
Os integrantes da Câmara Técnica também apontam como prioridade a ser discutida com o secretário estadual a otimização na distribuição de vagas da hemodiálise, de forma que os pacientes possam ser atendidos nas unidades mais próximas de onde residem. Outra demanda é a disponibilidade de ampliação do atendimento nos serviços de órtese e prótese.