Cerca de 300 ônibus de várias concessionárias que fazem linhas municipais ou intermunicipais deverão parar amanhã da meia-noite até às 7 horas, em suas respectivas garagens, em Mogi das Cruzes, em ato de protesto contra a reforma da Previdência. A informação foi repassada na noite de ontem por Félix Serrano Barros, presidente do Sindicato dos Rodoviários de Mogi das Cruzes e Região. "Como é a primeira paralisação geral, vários setores irão parar e escolhemos esse horário para não gerar muitos transtornos", disse o presidente.
Barros afirmou que como sindicalista não pode concordar, a exemplo da categoria e de diversos segmentos da sociedade, com os principais pontos da reforma, entre eles, a equiparação da idade mínima para a mulher se aposentar, assim como o homem, e o tempo mínimo de contribuição. "A mulher já faz dupla jornada em casa e no trabalho. Não é justo que se aposente com a mesma idade que o homem. Além disso, com essa taxa de desemprego, quem vai conseguir contribuir por 49 anos com a Previdência? Ninguém mais vai se aposentar!", criticou.
Os professores das redes municipal e estadual de Suzano e da região também irão participar na Avenida Paulista, em São Paulo, amanhã, às 16 horas, da manifestação organizada pelas Centrais Sindicais e representantes de várias categorias contra a reforma previdenciária.
Segundo Mírian Rosiris Mendes, professora da rede municipal suzanense, cerca de 550 servidores do município deverão aderir ao protesto contra o fim da aposentadoria especial - como é no caso dos professores -, a idade mínima de 65 anos para se aposentar, para ambos os sexos, e o tempo mínimo de contribuição de 49 anos para o recebimento da aposentadoria com salário integral. "Nas escolas onde houver grande adesão de professores, as aulas serão suspensas, e os alunos já estão sendo comunicados. Iremos nos reunir na praça da Igreja Matriz de Suzano às 11 horas e, de lá, partiremos em direção a São Paulo, com saída do Milharal, em um ônibus fornecido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), entre 13h30 ou 14 horas", detalhou.
Em Suzano, pelo menos 53 unidades escolares possuem representação de servidores que aderiram ao protesto.
Para os manifestantes da categoria, caso a Reforma da Previdência seja aprovada, o País se transformará em uma "nação de velhos mendigando". "Por isso, a mobilização em todo o Brasil. O Sindicato dos Servidores Municipais de Suzano manifestou apoio à nossa causa, porém, não têm envolvimento direto com o nosso ato", frisou.
Sem aulas
Ana Lúcia Ferreira, diretora estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e coordenadora da subsede de Suzano, não soube precisar ainda quantos servidores estaduais da Educação deverão comparecer à manifestação. Porém, ressaltou que a paralisação na cidade será "grande" e que a entidade contratou dois ônibus para transportar o pessoal. "Nesta quarta, sairemos da subsede da Apeoesp em Suzano, na avenida Antônio Marques Figueira, 685, ao meio-dia, com destino à Praça da República, em São Paulo, onde participaremos primeiro de uma assembleia estadual. Depois iremos em passeata até a Paulista, para a manifestação", disse.