O Legislativo aprovou em sessão ordinária na tarde de ontem o requerimento de número 19, de autoria do vereador Chico Bezerra (PSB), que solicita ao Governo do Estado explicações sobre os rumores do fechamento do Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar.
O argumento do secretário estadual de Saúde, David Uip, para o fechamento do PS seria o de que 50% dos pacientes teriam doenças de baixa complexidade ou fariam atendimentos ambulatoriais (consultas), o que estaria em desencontro com o perfil médico do Hospital Luzia, voltado à média e à alta complexidade. Bezerra, presidente da Comissão Permanente de Saúde da Câmara, está preocupado. "O fechamento vai sobrecarregar as unidades municipais, que já estão com excesso de demanda, devido à crise financeira. A recessão está obrigando dezenas de famílias a deixar de pagar o plano de saúde, migrando para o atendimento público", afirma Bezerra.
O vereador quer uma confirmação oficial sobre a possibilidade de o Pronto-Socorro interromper a prestação de serviço de portas abertas. Encontros com parlamentares, prefeitos e secretários de outros municípios estão sendo agendados a fim de articular bloco de resistência à suposta decisão.
Além do secretário estadual David Uip, cópias do requerimento serão remetidas ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), aos deputados estaduais e aos prefeitos das cidades do Alto Tietê.
Chico Bezerra diz que o número de moradores na região dependentes do PS do Luzia é alto. "Hoje são mais de 2,5 milhões de habitantes na nossa região. Que o governo do estado esclareça tudo isso".
Antonio Lino (PSD) ficou indignado. "Fiquei surpreso com esta notícia. Como dizia a minha avó, onde há fumaça, há fogo. Hoje a notícia está espalhada por toda cidade. Precisamos começar a nos movimentar".
O presidente do Legislativo, pastor Carlos Evaristo (PSD), também comentou o assunto. "Já tem lenha e álcool em gel, vereador Lino. Não é só fogo não. Sugiro à Comissão de Saúde desta Casa que marque uma audiência, convoque os deputados, apele para alguém da Secretaria de Estadual de Saúde".
Mauro Araújo (PMDB) recorda que boatos sobre o fechamento do pronto-socorro já circularam anteriormente. "Fiquei indignado. Não é a primeira vez que essa conversa surge. A oncologia estamos esperando há anos. A pediatria, o Governo do Estado empurrou para o Município. Várias cidades vizinhas não têm PS. Quem vai pagar? O cidadão mogiano. Vamos fazer barulho".