Um espaço abandonado e frequentado por jovens, situado abaixo do Rodoanel Leste, em Calmon Viana, Poá. O cenário descrito poderia ser apenas mais um entre tantos outros utilizados para a prática de crimes e a disseminação da violência. Isso se não fosse o esporte e o desejo de voluntários da ONG Social Skate de fazerem o bem ao próximo.
Fundada em 2011, a associação tem por objetivo desenvolver e estimular a transformação social por meio do esporte. Tendo o skate como principal ferramenta de inclusão, a ONG atende hoje 150 crianças e adolescentes com idades entre 6 e 18 anos, que contam ainda com formação cultural e apoio pedagógico.
Todos os sábados o grupo se desloca até local para praticar a modalidade esportiva, encontrar amigos e também sonhar com dias melhores. Antes de pegar o skate e executar manobras inspiradas por ídolos como Bob Burnquist e Tony Hawk, no entanto, é preciso varrer, puxar a água, recolher o lixo e verificar se a estrutura não oferece nenhum risco. Isso porque o espaço, que anos atrás era uma espécie de complexo esportivo, há muito tempo não recebe nenhum tipo de manutenção.
De acordo com Sandro Soares dos Santos, que fundou a ONG ao lado da esposa, Leila Vieira dos Santos, tal situação faz com que se sinta invisível perante ao poder público. "É claro que o fato de as crianças contribuírem com a conservação do espaço é também uma forma de conscientizá-las para que cuidem do patrimônio, mas há oito anos a gente passa por essa situação. Três governos se passaram, mas as melhorias ficaram apenas nas promessas", lamentou.
Para Santos, a revitalização da área iria beneficiar não apenas o seu projeto, mas todos os moradores do entorno, uma vez que o local é a única opção de lazer no bairro. "Acredito que da mesma forma que o esporte faz com que essas crianças não entrem para o mundo da criminalidade, a violência também acaba se afastando por ver que não há espaço para ela. Quando um lugar como este está ocupado por vida, sonhos e atividades, os traficantes e usuários de droga acabam deixando de frequentar, porque muitas vezes são, inclusive, familiares dessas crianças", avaliou.
Tantas dificuldades e falta de apoio não são suficientes para desistir. "Costumo dizer que o mau não espera para agir, então, o bem não precisa esperar. Se eu fosse esperar alguém me ajudar, o projeto nunca teria acontecido. Eu me sinto invisível perante o poder público, mas não me sinto inativo. Vamos continuar batalhando", concluiu.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Poá informou que "a nova gestão já fez trabalhos de manutenções no espaço. Também está estudando o melhor projeto para o equipamento", concluiu.