Com a popularização do serviço de assistência jurídica gratuita à população carente, a Defensoria Pública de Mogi das Cruzes vem recebendo uma demanda significativa de clientes.
Atualmente, a unidade realiza, em média, 2,5 mil atendimentos mensais, o que representa aproximadamente 85 pessoas procurando pelo local diariamente.
Para o defensor público Gediel Claudino de Araújo Júnior, a crescente demanda já sinaliza a necessidade de uma reformulação na forma de atender. Isso porque, atualmente, para se consultar não é necessário realizar nenhum tipo de agendamento.
Desta forma, todos os cidadãos que comparecem à sede da Defensoria no horário normal de distribuição de senhas ao público, recebem a assistência jurídica no mesmo dia.
"Atualmente, a Defensoria Pública de Mogi conta com 11 defensores. Imagine atender 150 pessoas em um mesmo dia? Isso acaba comprometendo a qualidade do atendimento", disse.
Tal situação foi um dos fatores que influenciou o defensor a dar entrada no processo de sua aposentadoria, após 25 anos de serviço prestado.
"Sempre fiz questão de um atendimento mais humano, mas, infelizmente, a demanda tem sido esmagadora e o cidadão acabou virando apenas número. Sempre busquei conhecer o cliente, saber sua história e me aprofundar no problema. Porém, atendendo mais de cem pessoas em um mesmo dia isso fica completamente inviável. Vira algo muito estressante, de modo que o primeiro cidadão atendido no dia acaba sendo melhor assistido do que o último, e isso não é culpa do defensor", contou.
Uma das alternativas, de acordo com Araújo seria adotar o sistema de agendamentos. Tal estratégia permitiria até mesmo a contratação de mais pessoal, uma vez que ficaria visível que o atual número de profissionais não é suficiente para a grande quantidade de clientes.
"Este é um serviço que deu certo, mas que com sua popularização cresceu muito e, infelizmente, atendendo hoje até mais de cem pessoas por dia, ainda usa o mesmo método de quando eram apenas 15 ou 20 cidadãos buscando o serviço", afirmou ele. "Acredito que com o agendamento seria possível até mesmo mensurar o déficit de defensores no município. Isso porque se a data de atendimento do cidadão for marcada para muito longe é sinal de que se tornou necessário mais gente atendendo para que seja possível realizar mais agendamentos em um mesmo dia", completou.
A sede da Defensoria Pública está localizada na rua Francisco Martins,30, no Jardim Armênia. O horário de funcionamento para entrada de processos é de segunda a sexta-feira, das 8 às 9h30. (S.L.)