Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 600 mil novos casos de câncer devem ser diagnosticados no Brasil somente este ano. Esse diagnóstico traz aos pacientes muitas dúvidas em relação à doença, ao tratamento e às chances de cura. E, entre esses questionamentos há um grande tabu: "Por que eu?".
De acordo com a psicóloga do Centro Oncológico Mogi das Cruzes, Valéria Rocha Macedo, apesar dos tratamentos mais avançados e dos crescentes índices de cura, o diagnóstico do câncer ainda é tratado pela população como uma sentença de morte. "Nós, seres humanos, não gostamos de pensar e nem de falar sobre a morte. E, quando a pessoa é diagnosticada com câncer ela passa a ter a ciência dessa fragilidade e já acha que vai morrer. Então, começa a questionar 'por que eu', 'o que fiz para merecer isso' e também a analisar a vida, onde errou e acertou".
A psicóloga explica que, neste caso, sempre questiona o paciente se ele encontrou uma resposta para suas dúvidas. "É importante evitarmos nos pacientes sentimentos muito comuns, como a raiva e a revolta. Aos poucos vamos desmistificando esse tabu e fazendo a pessoa refletir que o diagnóstico não vem só com o sofrimento. Ele pode vir para ajudar em uma mudança comportamental. Geralmente vem para fazer o paciente romper com o que não faz feliz e bem. Pode ser um relacionamento afetivo ou de trabalho, uma mágoa e outras situações que fazem com que ele sofra", destaca.
O acompanhamento psicológico realizado de forma conjunta ao tratamento é importante, além da participação efetiva da família. "O câncer é uma doença biológica, mas pode ter um componente psicossomático. Queremos evitar que a pessoa fique sofrendo e guardando esse sofrimento. E o apoio da família é fundamental porque às vezes o paciente precisa deste apoio para continuar", comenta. "Além de acabar com os tabus, a principal mensagem que passamos é: Não fique sofrendo e não pare sua vida. Faça o tratamento, mas siga seus projetos porque você está vivo. Aproveite", finaliza.