Uma criança de dois anos passou ontem por uma cirurgia auditiva inédita em Mogi das Cruzes. Laura de Queiroz Morais recebeu o implante coclear, conhecido como ouvido biônico, simultaneamente nos dois ouvidos. É a primeira vez que o procedimento bilateral é realizado na cidade. Com a colocação do implante nos dois lados, a expectativa é que a criança aprenda a falar de forma natural, como alguém que não nasceu com a surdez.
A cirurgia foi realizada pelo médico otorrinolaringologista e especialista em Otologia Sandro Sérgio Muniz da Silva, no Hospital Santana. Em fevereiro de 2016, o profissional já havia realizado um procedimento inédito na cidade, quando implantou um aparelho do sistema Baha (Bone Anchored Hearing Aid) numa universitária, que após a cirurgia passou a escutar sons com mais qualidade, deixando de utilizar uma prótese auditiva em forma de tiara.
"A criança que foi submetida à cirurgia nasceu sem audição nos dois ouvidos e os pais, Ariane Queiroz e Reges Morais, logo buscaram procedimentos que pudessem reverter esse quadro. O implante coclear é o mais indicado para o caso da criança que tem apenas dois anos e feito de forma bilateral tem resultados ainda melhores", explica o médico. "A novidade desta cirurgia é o procedimento bilateral, que não era preconizado há alguns anos. Hoje chegou-se à conclusão que as crianças que ouvem dos dois lados têm uma capacidade de entendimento muito maior, pois ativa as funções dos dois lados do cérebro. Assim elas se desenvolvem normalmente com noções de espaço, sensações".
Implante
O implante coclear é indicado para pessoas com surdez profunda congênita, quando a pessoa já nasce sem audição, ou adquirida após algum acidente ou doença.
Diferente do aparelho auditivo que apenas amplifica os sons do ambiente, o implante coclear atua "imitando" as funções das células do ouvido interno recriando as sensações sonoras. Por causa disso, também contribui para o desenvolvimento da fala nas crianças.
"Uma criança pequena que já nasceu com surdez ou uma pessoa que ouvia, mas faz pouco tempo que perdeu a audição, se adaptam ao implante. Já alguém que está há muitos anos sem ouvir e tem os canais já em desuso não são indicados".
Na cirurgia é implantada uma prótese composta por feixes de eletrodos dentro do ouvido, na área chamada de cóclea. Essa parte é responsável por decifrar o som captado pelo microfone que fica na parte externa da cabeça e transmitir para o cérebro.
Por se tratar de uma cirurgia bilateral, o procedimento que realizado pelo médico mogiano durou em torno de quatro horas. Após duas semanas de curativos, os pontos devem ser retirados e a próxima etapa é a ativação do sistema.
"Será o grande momento de todo o procedimento porque é quando o paciente vai ouvir pela primeira vez. Aí entra o trabalho da equipe de fonoaudiólogos que irão regular o aparelho e ajudar a criança a entender o que significa cada som até que consiga falar. Nesse caso, há uma grande chance da paciente escutar e falar normalmente, como se sempre tivesse escutado", afirma o especialista.