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"É uma experiência que não tem como explicar. Essa sensação só vai experimentar quem estiver na frente do médico e o ouvir dizer que você está com essa doença e que vai passar por um tratamento difícil, sem ter a certeza de que vai conseguir se curar. Saber que, de uma forma ou de outra, você corre o risco de perder a vida".
O depoimento é do advogado suzanense Dario Resinger Ferreira, de 33 anos, ao se referir ao instante em que recebeu o diagnóstico de câncer nos testículos, em janeiro de 2014. O momento difícil já fez e faz parte da vida de milhares de brasileiros diagnosticados com a doença, que tem hoje, dia 4 de fevereiro, seu Dia Mundial. Para o advogado, trata-se de "um obstáculo superado". Uma lição de vida que o ensinou a valorizar ainda mais as coisas que realmente importam.
"Na época fiquei confiante e não me abalei muito, porque no ano anterior eu tive um aluno que precisou se afastar das aulas para se tratar da doença e, no meio do semestre seguinte, ele retornou curado. Então associei que o mesmo ocorreria comigo", contou. Apesar de todo otimismo e da vontade de vencer a doença, assim como os heróis derrotavam os vilões nos quadrinhos que lia com frequência, os dois anos de tratamento não foram fáceis. Ao todo foram quatro cirurgias e três ciclos de quimioterapia.
O primeiro obstáculo surgiu logo no início, quando precisou deixar de lado a vida agitada no escritório de advocacia e as aulas como professor universitário: "Quando se descobre que está com câncer, você é tirado da sua rotina de uma forma abrupta. Então de uma hora para outra, o cotidiano de trabalho e afazeres se transformou em uma rotina de hospitais e tratamentos".
Há quase dois anos, Ferreira recebeu a notícia de que estava curado. Para ele, tal conquista não seria possível sem a esperança e, principalmente, sem o apoio das pessoas que ama. "Quando você passa a ter a noção de que esse momento difícil que está enfrentando hoje vai passar, se consegue ter uma perspectiva mais real da possibilidade de melhora. Mas, para que se tenha força para superar esse tratamento, o apoio da família e dos amigos é fundamental e insubstituível. Isso te dá uma energia muito grande e te deixa praticamente invencível", salientou.
Aprendizado
Segundo o advogado, a experiência lhe trouxe algumas lições importantes, como aproveitar as pequenas coisas da vida. "É impressionante, mas no meio do tratamento, a gente não sente falta de grandes viagens, momentos de extrema diversão ou realizações. O que mais faz falta é o cotidiano, o simples fato de poder acordar de manhã e ir trabalhar, poder almoçar com a família no fim de semana", revela.
Cada dia ganhou um novo significado para Ferreira. "Depois que se passa por uma situação dessas a gente valoriza muito mais esses momentos cotidianos, que geralmente passam despercebidos por nós", concluiu o suzanense.
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