Cerca de 3,5 mil funcionários da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos ainda aguardam o recebimento do último salário de 2016. O pagamento deveria ter sido efetuado em 30 de dezembro, ainda na gestão do ex-prefeito José Izidro Neto (PMDB). A soma de todas as folhas de pagamentos pendentes chega a R$ 12 milhões.
De acordo com uma colaboradora, que preferiu não se identificar, o atraso salarial é uma herança deixada pela gestão passada e que já vinha sendo registrado desde o último trimestre. "O pagamento começou a atrasar em outubro. O que ficou pendente foi o valor que tinha que ter sido pago em dezembro. Nenhum funcionário recebeu e não há prazo para que isso aconteça", contou.
Outra profissional que atua na área da Saúde, e que também preferiu ter a identidade preservada, informou que o problema atinge também benefícios como o vale transporte, por exemplo. Tal situação estaria dificultando até mesmo a ida dos funcionários ao trabalho. "Nós temos que cumprir com nossa obrigação para com a população, mas infelizmente a Prefeitura não cumpriu com a responsabilidade dela. Sem dinheiro tem gente que já não consegue mais arcar com alimentação e nem mesmo o transporte para chegar ao serviço", reclamou.
Por meio da Secretaria municipal de Comunicação (Secom), a Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, confirmou a dívida deixada pela gestão anterior.
Questionada sobre a previsão para que a dívida seja liquidada, a Pasta informou que o atual prefeito, José Carlos Fernandes Chacon (PRB), o Zé Biruta, "está fazendo o levantamento, junto à sua equipe, de todas as pendências existentes na administração municipal".
Já sobre a situação dos benefícios esclareceu que a questão estava sendo direcionada para o setor de Contabilidade, para que um levantamento mais detalhado fosse realizado. Dessa forma, não foi possível mencionar a situação deste seguimento.
Por fim, destacou que no âmbito geral, o atual chefe do executivo assumiu o cargo com um déficit que chega a R$ 500 milhões. "O prefeito vai trabalhar para buscar recursos em todas as esferas e negociar as dívidas com os fornecedores", concluiu.
Já Izidro lamentou a situação e informou ter deixado em caixa um valor de aproximadamente R$ 3,5 milhões para essa finalidade. "A legislação trabalhista e o estatuto do funcionário público permitem que o pagamento seja efetuado até o quinto dia útil do mês. Foi o que fizemos nos meses anteriores. Acredito que o prefeito esteja verificando a folha de pagamento e deixe para pagar junto com o INSS", comentou".