Com 650 dispensas só em dezembro, a indústria de transformação do Alto Tietê encerrou 2016 com o fechamento de aproximadamente seis mil postos de trabalho, segundo dados divulgados ontem pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).
A retração de 9,36% no nível de emprego foi uma das maiores do Estado e agrava uma situação que se arrasta desde 2014. Nos últimos três anos, o setor demitiu 15 mil trabalhadores em oito cidades da região: Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano e enfrenta um dos piores períodos da sua história.
Os dados do Ciesp mostram que a retração no emprego industrial no Alto Tietê, em 2016, foi pior do que a média do Estado (-6,58%), onde foi contabilizado um decréscimo de 152 mil vagas de trabalho. Das seis mil vagas fechadas na região, a maior parte se deu nas indústrias de metalurgia (o setor reduziu o nível de emprego em 67%), equipamentos de informática/produtos eletrônicos (35%), celulose/papel (10,44%) e artefatos de couro (10%). De 18 setores pesquisados, só três encerraram o ano com variação positiva: produtos alimentícios (1,49%), bebidas (1,20%) e veículos automotores/autopeças (1,67%).
Na comparação com 2015, o saldo de 2016 é melhor, já que no ano anterior foram registradas sete mil demissões no Alto Tietê. "Mas isso não traz qualquer conforto. Pelo contrário, seis mil postos de trabalho fechados refletem uma condição igualmente desastrosa. No intervalo de 24 meses, são 13 mil trabalhadores dispensados e se somarmos também 2014, quando a curva entrou na descendente, o saldo não poderia ser pior: 15 mil industriários perderam o emprego. Estamos falando de uma retração de mais de 20% em três anos. Isso significa que mesmo com a eventual recuperação da economia, levará muito tempo para que esses postos de trabalho sejam reativados", avalia o diretor do Ciesp Alto Tietê, José Francisco Caseiro.
Expectativa
A região não está sozinha nesse cenário. Das 35 regiões industriais do Estado, 33 tiveram saldo negativo em 2016 - as exceções foram São Carlos e Marília. "As pesquisas do Ciesp mostram que as empresas adaptaram o emprego à queda da produção e a tendência é de que o quadro fique estável ao longo deste ano, com possibilidade de recuperação a partir de 2018. Essa retomada, no entanto, depende muito mais do que só baixar os juros nos patamares atuais. É preciso que os juros reduzam de forma significativa, e acompanhado de outras medidas macro, como a redução dos impostos, da burocracia e a revisão das leis trabalhistas, além de ações regionais para atrair novas empresas para absorver a mão de obra", disse o diretor do Ciesp Alto Tietê.